Economia & Negócios

Programa quer modernizar feira livre

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Pastel, verdura de boa qualidade, legumes fresquinhos e 10 mil pessoas transitando todos os domingos. Trata-se da feira da rua Gustavo Maciel, em Bauru, onde cerca de 120 feirantes trabalham. Em busca de modernizar a apresentação dos produtos e os serviços oferecidos ao público, alguns produtores e feirantes participaram ontem à tarde da primeira reunião da categoria para firmar parceria entre o Banco do Brasil, Prefeitura Municipal e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A idéia é lançar na cidade dois projetos pilotos do Programa de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS), oferecido pela instituição financeira. Neste primeiro encontro foram registradas as principais reivindicações dos feirantes. Eles traçaram algumas metas para conseguir aumentar as vendas, agregar valor aos produtos e, conseqüentemente, ter mais lucro.

Padronizar as barracas, higienizá-las e organizar a disposição dos produtos na feira foram algumas sugestões dos participantes. O objetivo era de fazer com que eles mesmos definissem suas prioridades. “Já tínhamos uma idéia do que poderia ser feito, mas o importante é que as sugestões partiram dos próprios feirantes”, ressalta o diretor de agronomia da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Sérgio Ishicava.

O gerente de agência do Banco do Brasil Luís Carlos Guimarães explicou que a intenção do programa é exatamente identificar as necessidades de cada grupo e disponibilizar o que for possível para o desenvolvimento regional. “O programa pretende promover a inclusão social através da geração de trabalho e renda, além de democratizar o acesso ao crédito”, explica. A intenção do banco é, entre outras coisas, oferecer financiamentos que atendam os interesses dos feirantes.

Curioso, o produtor de verduras há cinco anos Shin-iti Tsutsumi foi até a reunião, ontem à tarde. Foi o primeiro a chegar. Ele concorda que um dos obstáculos para a categoria é conseguir dinheiro para aplicar em melhorias. “Nós (produtores) sabemos que para melhorar as vendas, o ideal é padronizar as bancas e tornar a feira um local de passeio para as famílias. Mas o difícil é ter dinheiro para começar a fazer tudo isso”, argumenta.

União

O apicultor há 19 anos, Élcio Gonçalves de Oliveira é mais cauteloso em relação a mudanças. “Os feirantes de Bauru estão muito individualistas. Sabemos que para melhorar precisamos unir esforços, mas só acredito (que isso vá acontecer) vendo”, resume. Ele ressalta que a vida dos feirantes é bastante sacrificada. “A categoria é formada por pessoas humildes e trabalhadoras. Mas precisamos ter mais união para resolver os problemas juntos”, afirma.

O presidente da Associação dos Feirantes de Bauru, Moisés Bastos, concorda que falta união entre os feirantes. “Anos atrás, quando a categoria estava sofrendo por causa da perda de clientes para supermercados e ‘sacolões’, eles se uniram. Mas agora que recuperamos boa parte da clientela, a acomodação é grande”, diz. Bastos acredita que cursos de capacitação poderiam resultar em mais qualidade dos serviços.

O gerente do escritório regional de Bauru do Sebrae, Milton Aparecido Debiasi, informou que vários cursos - alguns possivelmente gratuitos - poderão ser ofertados, de acordo com a necessidade dos feirantes. “O Sebrae pode disponibilizar cursos de higiene e manipulação de alimentos, oficinas de tecnologia e outra demanda que eles (feirantes) apontarem”, diz.

A viabilização dos pilotos está em discussão entre os parceiros. Inicialmente, haverá um cadastramento dos participantes. A segunda etapa será a realização de diagnósticos para levantar as necessidades e possibilidades de projetos para a ampliação de negócios, culminando com a terceira etapa, que é a implantação.

Esses projetos devem envolver, dentre outras necessidades, capacitação, através do Sebrae, e linha de financiamento, por parte do Banco do Brasil.

O trabalho com os feirantes é um dos projetos. O outro é voltado aos artesãos e expositores da Feira Ubá, que se reúnem hoje, às 19h, no Teatro Municipal.

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Histórico

O Programa de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) do Banco do Brasil foi lançado em 2003, na época priorizando as regiões Norte, Nordeste e Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, pois possuíam os menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do País.

A partir de 2004, os projetos começaram a ser expandidos para outras regiões, chegando, inclusive, nas periferias de grandes centros urbanos, principalmente nas Capitais.

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