São Paulo - O estresse pré-vestibular ainda atormenta Samara Vasques, 18 anos. Não por ela, aluna do segundo semestre da faculdade de nutrição, mas pelo namorado, Alexandre Oliva Gimenez, 19 anos, que faz o segundo ano de cursinho para tentar uma vaga em ciências contábeis. “Temos nos visto menos porque ele tem se dedicado mais aos estudos. Sinto a falta dele, mas entendo que é uma situação passageira”, diz Samara.
Relacionamentos estáveis, em que o companheiro compreende o momento do outro, sem fazer cobranças, trazem segurança e tranqüilidade para os vestibulandos.
Para Vera Lucia da Costa Antunes, coordenadora do Curso e Colégio Objetivo, o namoro nessa fase até ajuda. “O estudante precisa ter momentos de lazer, que pode ser praticar um esporte, ir ao cinema e, por que não, namorar. E se estiver com alguém que já passou por isso, essa pessoa vai saber como é difícil e o estimulará. Poderá até ajudá-lo em alguma disciplina.”
O namoro pode interferir na preparação para as provas quando houver cobrança por atenção, o que geralmente ocorre com relacionamentos mais recentes. Como foi no caso de Samara e Alexandre, que namoram há um ano e três meses. “No ano passado, priorizei o namoro. Deixei de ir ao cursinho de sexta-feira várias vezes para ficar com ela. Mas acabei sofrendo bastante depois porque não passei no vestibular por muito pouco”, relembra Alexandre.
Equilíbrio
“O equilíbrio desejado entre não perder o prazer de estar com quem se ama, não se afastar dessa pessoa e, ao mesmo tempo, conseguir preparar-se adequadamente para o vestibular passa por uma negociação que envolve mais do que determinar horários”, afirma Marina Nunes, orientadora educacional do Colégio Santa Cruz.
O ideal é que haja acordos mais gerais, não muito rígidos, segundo Wander Pereira da Silva, professor da Universidade Católica de Brasília e presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental. “Estabelecer horário para estar junto e horário para estudar de maneira muito inflexível pode tornar a relação rotineira, sem graça e previsível demais, gerando perda de interesse.”
Se o estudante perceber que seu rendimento caiu nos simulados dos cursinhos ou que não está dominando determinado assunto, vale a pena conversar de novo com o(a) namorado(a) e estabelecer mais horas de estudo, segundo Vera Lucia, do Objetivo.
Da mesma maneira que, se surgir um compromisso ou uma festa, não deixar de ir -desde que consiga recuperar a matéria num outro horário.
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Orientação dos pais
São Paulo - O namoro durante o período de preparação para o vestibular pode deixar alguns pais receosos de que isso irá interferir no desempenho dos filhos. “Os pais devem orientar os jovens com cautela e sensibilidade, explicar que é uma fase e que, depois de aprovado, ele poderá retomar o namoro com mais intensidade”, afirma a psicóloga Patrícia Gugliotta.
Para Marina Nunes, orientadora educacional do Colégio Santa Cruz, não adianta os pais tentarem estabelecer horário para o namoro se o jovem não estiver comprometido com o seu estudo. “Ele substituirá essa distração por outra.”
E proibir o namoro ou restringir a freqüência dos encontros por causa do estudo pode aumentar o valor de estar com o namorado em detrimento do estudo, segundo Wander Pereira da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental. “Estudar passa a ser aversivo e ficar com o namorado ou a namorada, algo desejado.”
O melhor mesmo é monitorar o modo como o estudante lida com a experiência e explicitar os aspectos do relacionamento que estão incomodando. “Só se deve interferir se a situação fugir do controle”, afirma Silva.