Um arraial, com direito a quadrilha, quentão e vinho-quente, vai movimentar os pés dos foliões saudosos do Carnaval de rua em Bauru. Uma festa julina, marcada para os dias 14 e 15 de julho no Sambódromo, celebra o empenho da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) e da Liga das Escolas de Samba e das Entidades Carnavalescas (Lesec) para trazer de volta o desfile das escolas de samba no Carnaval de 2008.
A programação cultural dos eventos ficará a cargo da SMC. Já os carnavalescos serão responsáveis pelas barracas de comidas e bebidas. “Cada escola vai vender alguma coisa. O dinheiro arrecadado será utilizado para confeccionar fantasias e construir ou restaurar os carros alegóricos”, explica o presidente do conselho da Lesec, Francisco Carlos Saes, o Chiquinho.
Ele espera que cada escola arrecade cerca de R$ 1 mil com a festa, que terá entrada gratuita. Até agora, todas as agremiações confirmaram a participação no evento. São elas: Cartola, Mocidade Independente de Vila Falcão, Águia de Ouro, Azulão do Morro, Coroa Imperial e Tradição Zona Leste.
Segundo o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, em todo mês haverá algum evento semelhante para captar recursos e movimentar as escolas de samba. O calendário com todas as atividades deve ser fechado nesta noite durante uma reunião entre a pasta e a Lesec.
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Mais recursos
Se as estimativas do presidente do conselho da Lesec, o Chiquinho, estiverem certas, até dezembro, cada escola de samba deve arrecadar cerca de R$ 6 mil com as atividades culturais. A quantia é ínfima perto do valor necessário para organizar um desfile. “Cada escola precisaria de, no mínimo, R$ 30 mil”, diz Chiquinho.
Parece muito, mas, de acordo com o carnavalesco, nos tempos áureos do Carnaval de rua de Bauru as agremiações chegavam a gastar R$ 100 mil. “Teve ano da Cartola e da Mocidade saírem com nove, dez carros!”, lembra. Mas isso faz tempo, mais de seis anos, quando o Carnaval de Bauru era considerado o melhor do Interior, melhor até do que de muitas capitais”, afirma o folião.
Apesar de se dizer esperançoso quanto à volta da tradicional festa em 2008, Chiquinho está consciente de que a verba captada com as atividades programadas ao longo do ano não será suficiente para a realização da festa. Pelo menos não com a mesma qualidade de anos atrás.
Da Prefeitura, o carnavalesco não espera recursos. A esperança está no governo federal. Com a regularização da dívida da Previdência e a liberação da prefeitura de discutir na Justiça diferença de parcela sobre o pagamento mensal da dívida federalizada com a União em 2000, Bauru retoma as condições de ter acesso a recursos federais, algo que não acontecia há dez anos.
“O Paulo Madureira (presidente da Câmara) encaminhou um projeto para a ministra do Turismo, Marta Suplicy. O Vinagre também se comprometeu a buscar recursos via Ministério da Cultura. Estamos otimistas”, diz Chiquinho.
A Lesec também deve encaminhar um novo projeto do Carnaval de rua ou aperfeiçoar o encaminhado e aprovado no ano passado pelo Ministério da Cultura junto à Lei Rouanet. Outra iniciativa é a confecção de adesivos financiados pela SMC com o slogan: “Eu Quero Carnaval em 2008”.