Numa das maiores operações já realizadas na região de Bauru, a Polícia Civil prendeu ontem 14 pessoas de sete cidades acusadas de cinco crimes - entre eles, simular e praticar furto e roubo de combustível e formação de quadrilha. A polícia estima que em oito meses eles movimentaram cerca de R$ 6 milhões. Quatro pessoas que já estavam presas em Araraquara por outros crimes também são acusadas de participar do esquema, totalizando 18 integrantes.
A megaoperação, denominada Barracão, foi desenvolvida por policiais do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-4 (Deinter-4) que agiram simultaneamente nas sete cidades para cumprir os mandados de prisão dos 14 acusados. Também foram apreendidos pelo menos dez veículos, de modelos distintos, com os acusados dos crimes, documentos e dinheiro.
Segundo a polícia, os presos são acusados de roubar a carga de combustíveis – álcool, gasolina, óleo vegetal e óleo bruto – no trajeto entre a distribuidora e o ponto-de-venda para revender em postos da região de Bauru. Para ocultar o crime, segundo a polícia, o motorista do caminhão que transportava a carga fazia um boletim de ocorrência informando o falso roubo.
Para esconder a carga, eles usariam um caminhão. “Geralmente, os caminhões são controlados via satélite. Mas eles transferiam a carga para um veículo próprio, para dificultar a localização”, explica afirma o diretor do Deinter-4, Roberto de Mello Annibal. Esse caminhão também foi localizado e apreendido pelos policiais.
De acordo com Annibal, os 14 presos atuavam em Bauru, Caconde, Itatiba, Lençóis Paulista, Limeira, Paulínia e Pederneiras. Um dos dois homens apontados como líderes do grupo, Renato Vioto, 32 anos, é morador de Bauru. Ele e sua esposa, Alessandra Sabino, 27 anos, foram presos em sua residência ontem, por volta as 6h.
No mesmo horário, os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão nas casas dos demais acusados. Outro indicado como líder do grupo, Oraí José de Moura, 36 anos, também foi localizado em sua residência, em Paulínia, junto com sua esposa, Maria Isabel Diniz de Moura, 42 anos.
Também foi presa no local Fábia Regina Pratti, 31 anos, apontada como amante de Moura. As duas mulheres seriam responsáveis pela contabilidade administrativa do grupo. Nas residências dos acusados, foram apreendidos documentos como notas fiscais, números de telefones, anotações de transações, duas armas, cartões bancários, dois celulares e cerca de R$ 5 mil em dinheiro.
Bloqueio dos bens
A polícia vai pedir na Justiça o bloqueio dos bens de Vioto e Moura. Eles terão as contas bancárias e transações financeiras investigadas. A polícia estima que em cada três roubos praticados, os líderes recebiam cerca de R$ 190 mil, cada um. Pelos cálculos da polícia, os motoristas ganhavam entre R$ 5 mil e R$ 20 mil. Só na semana passada, duas cargas de combustível foram roubadas na região de Bauru e em alguns meses o número de furto do mesmo produto chegou a dez. O Deinter suspeita que as 18 pessoas presas sejam responsáveis pelos crimes.
Também foram presos: Alexandro Coutinho, 30 anos; Álvaro Garceli de Borba, 44 anos; Clésio Martins, 46 anos; Eduardo Souza Pinto Filho, 40 anos; Fábia Regina Pratti, 31 anos; Flávio Henrique Miguel do Nascimento, 35 anos; Marcelo José de Lima, 31 anos; Márcio Mello Turiano, 30 anos; Oraí José de Moura, 36 anos; Osmar Vioto, 37 anos; Tiago Petrovic, 24 anos.
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Postos
Renato Vioto e Oraí José de Moura, apontados como líderes do grupo, também são acusados de lavagem de dinheiro, já que os dois são donos de dois postos de gasolina da região, em Itabira e Itatinga.
Há cerca de 20 dias, eles venderam um posto localizado na rua Floresta, em Bauru. A maioria das 18 pessoas presas era motorista e frentista de postos de combustível.