Economia & Negócios

Unesp decide manter greve em Bauru

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

Em assembléia encerrada no final da tarde de ontem, estudantes, professores e funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru optaram por continuar a greve que começou há 15 dias na cidade. Eles decidiram pela continuidade do movimento em conformidade com o Fórum das Seis, entidade que reúne os sindicatos de professores e funcionários das três universidades estaduais paulistas - Universidade de São Paulo (USP), Unesp e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Mais de 200 pessoas, entre docentes, alunos e funcionários, lotaram a Central de Sala de Aula ontem à tarde. Reunidos, eles aproveitaram para manifestar repúdio ao ato de um grupo de professores dissidentes, que anteontem teria votado pelo fim da greve sem ouvir os demais interessados.

Após o recuo do governador José Serra (PSDB), que reeditou alguns dos decretos que motivaram a greve - já que a categoria analisou-os como uma ameaça à autonomia das universidades -, os grevistas decidiram continuar lutando pelas demais reivindicações. Entre elas, reajuste salarial e verba para a construção de moradia estudantil.

Também foi aprovada uma proposta, feita pelo professor Celso Zonta, para que seja encaminhado ao Fórum das Seis um indicativo de que seja concedido, imediatamente, pelo menos R$ 100,00 fixos aos salários dos professores e servidores, sem prejuízo da continuidade das negociações.

Os grevistas negociam o acréscimo de R$ 200,00 fixos nos salários das duas categorias. Os estudantes da Unesp de Bauru, por sua vez, querem o tão aguardado restaurante universitário, os blocos de moradias estudantis e o aumento do número de bolsas de estudo.

“Em cinco anos houve acréscimo em torno de 600 a 700 alunos por conta da extensão de cursos. Isso inviabiliza o número de bolsas que temos aqui para atender todo mundo. Dessa forma, existe uma lista de espera muito grande, e não dá para manter os estudantes aqui”, comenta o aluno de jornalismo Luiz Augusto Rocha.

Novo encontro

Na assembléia, as três categorias - professores, alunos e servidores - decidiram pela continuidade do movimento pelo menos até a próxima discussão, marcada para terça-feira. Antes disso, na segunda-feira ocorre outra negociação entre o Fórum das Seis e o Conselho dos Reitores das Universidades do Estado de São Paulo (Cruesp).

Para os estudantes da Unesp-Bauru, foi positiva a última reunião feita entre as duas entidades sobre uma possível vinculação percentual do excedente da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que poderá ser destinada à permanência estudantil.

“Eles (os reitores) falaram que o que der acima de R$ 43,6 bilhões (arrecadados com o ICMS no Estado), a distribuição viria da seguinte forma: 20% seriam aplicados em ensino, pesquisa e extensão, em termos de infra-estrutura; 5% para permanência estudantil (construção de blocos de moradias, restaurante universitário e bolsa de estudos) e 75% comporiam com o restante que nós iríamos discutir em outubro como uma parcela salarial, ou seja, uma parte dos R$ 200,00”, explica o presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) - Seção Sindical, Milton Vieira do Prado Júnior.

Na USP, o movimento grevista foi suspenso, e na Unicamp continua.

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Proposta x ICMS

A proposta inicial do Fórum das Seis previa porcentagens diferentes para a distribuição do excedente do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recolhido no Estado de São Paulo.

“O que nós colocamos é que o valor que ficasse acima de R$ 43,2 bilhões (arrecadação prevista pelo governo) seriam distribuídos (da seguinte forma): 88% iriam para os salários, 2% para a permanência estudantil e os outros 10% ficariam com os reitores para investimentos e custeio das universidades”, diz o presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) - Seção Sindical, Milton Vieira do Prado Júnior.

As propostas deverão ser discutidas novamente na próxima rodada de negociações entre Fórum das Seis e Cruesp, marcada para segunda-feira.

Emocionado, durante a assembléia de ontem à tarde na Unesp de Bauru o professor Celso Zonta contestou a idéia de que o movimento seria partidário. “Este não é um movimento partidário, é um movimento de coração. Nos acusaram de ser antiéticos e baderneiros, mas esta assembléia mostra que estamos fortes”, afirmou.

De acordo com o estudante de jornalismo Reynaldo Turollo Júnior, um grupo de alunos planeja participar, neste sábado, do Encontro Nacional dos Estudantes que será realizado na reitoria da Universidade de São Paulo (USP), na Capital, que foi ocupada por alunos no dia 3 de maio.

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