Bairros

Abelhas interditam Calçadão por 1h

Dayran Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Em pleno dia de Calçadão da Batista de Carvalho lotado por conta do Dia dos Namorados, um enxame de abelhas mudou o cenário do vai-e-vem de pessoas. Os insetos da espécie europa-africanizadas, que estavam em migração, pousaram na quadra 4 do Calçadão por volta das 16h de ontem e obrigaram transeuntes a desviar o caminho e até as lojas fecharem as portas. Conclusão: por uma hora, até serem retiradas por um apicultor, as abelhas “interditaram” uma quadra da principal rua do comércio de Bauru.

Por sorte, ninguém foi picado. “As abelhas vieram do nada. Parece até que foram trazidas pelo vento”, conta o estoquista Jefferson Ceulin. Segundo ele, o enxame surgiu rapidamente e as abelhas voavam em círculos ao redor dos pilares que sustentam a cobertura do Calçadão. Em seguida, pousaram no chão e lá permaneceram até o momento da retirada.

A vendedora Shirley Marques reclamou que a loja perdeu muitas vendas durante a hora de inatividade por causa das abelhas. “O Calçadão estava movimentado porque muita gente ainda estava comprando o presente do Dia dos Namorados. Como é típico do brasileiro deixar tudo para a última hora, a tarde do dia 12 é sempre muito boa para as vendas. Infelizmente, deixamos de lucrar neste período”, comenta.

O tenente Gustavo Xavier, comandante da Base Centro da Polícia Militar, disse que, quando acionada, a PM se dirigiu imediatamente ao local e tomou as primeiras medidas de segurança para evitar que pessoas fossem picadas pelas abelhas. “Nós isolamos a área de risco e solicitamos aos comerciantes que baixassem as portas para garantir que os funcionários e clientes ficassem seguros”, relata.

Os bombeiros também foram acionados, mas nada puderam fazer. A alternativa foi contatar um apicultor para retirar as abelhas do Calçadão. Segundo o tenente Xavier, não houve registros de pessoas picadas. Apicultor há 37 anos, José Eufraziano explicou que as abelhas não eram agressivas, e sim, defensivas.

Elas só atacam se sentirem-se ameaçadas, de acordo com Eufraziano. Como o local foi isolado e as pessoas portaram-se de maneira adequada, tudo correu bem. O apicultor conta que o caso de ontem não é uma ocorrência normal para este mês. Segundo ele, o processo de migração das abelhas, o que deve ter levado o enxame ao Centro da cidade, costuma acontecer em agosto.

“Provavelmente, alguém manipulou a colméia de maneira indevida, espantando as abelhas”. Ele informou que a colméia não estava completa, pois havia cerca de 500 abelhas no local, quando o normal são aproximadamente 3 mil. Ao retirá-las do Calçadão, Eufraziano notou que a rainha estava machucada. Para ele, esse foi o motivo do enxame ter permanecido no chão. “Provavelmente, a rainha caiu e, como de costume, todas as outras ficaram lá protegendo-a”, diz.

As pessoas que estavam nas proximidades do local ficaram impressionadas com a facilidade com que o apicultor fez a retirada. Ele não vestia roupas protetoras e, usando apenas uma vassourinha e fumaça, colocou as abelhas em um latão. Ao término do trabalho, ele foi aplaudido.

Eufraziano diz que não usou as roupas de proteção porque em enxames tipicamente migratórios, as abelhas não costumam estar agressivas. Após a operação, o apicultor levou as abelhas para a chácara de um amigo, onde, segundo ele, elas poderão ficar tranqüilas.

____________________

O risco

A abelha possui um ferrão na região posterior do corpo que serve para inocular veneno, o que faz com que ela seja considerada um animal peçonhento. Sua picada pode causar reações alérgicas, cuja gravidade depende da sensibilidade do indivíduo, local e número de picadas, sendo aconselhável, em caso de acidente, procurar atendimento médico.

Enquanto a picada provoca apenas dor e inchaço em algumas pessoas, em outras pode desencadear o choque anafilático, com parada cardíaca e morte. As reações costumam ser mais graves em pessoas alérgicas.

Por medida de segurança, procure se afastar de todo ou colméia. Mas caso se depare com algum, não se apavore e procure retirar das proximidades pessoas alérgicas às picadas, crianças e animais.

Os apicultores orientam a não bater, não tocar ou fazer movimentos bruscos e ruidosos próximos à colméia. Também não se deve jogar produtos como álcool, querosene, água ou inseticida sobre a colméia porque as abelhas podem se sentir ameaçadas e picar. Ao correr, proteja o rosto e os olhos. Vale lembrar que mergulhar em um rio ou entrar em uma vegetação densa não oferecem proteção suficiente.

Da Redação

Comentários

Comentários