Eram 6h e o primeiro fã de Caetano Veloso chegava ao Serviço Social do Comércio (Sesc) para comprar quatro ingressos para o show do dia 20 de junho na unidade de Bauru. As portas se abririam apenas às 13h, mas ele não se importava. “Esperar sete horas vale a pena. Eu o acompanho desde a infância!”, diz o pianista Alfredo Luiz Gonçalves, 40 anos.
Ele foi um dos persistentes que encararam no mínimo três horas de fila para garantir sua presença no show. De acordo com o animador cultural da entidade Rodrigo Nardini, os ingressos acabaram às 15h55 de ontem. A organizou havia avisado com mais de 15 dias de antecedência que seriam disponibilizadas apenas 2 mil entradas.
Na fila
A professora Débora Cristina Buzzo, 39 anos, chegou ao Sesc às 8h e levou um livro para passar o tempo. Ansiosa para o show, não sabia dizer que música gostaria de ouvir do ídolo. “Não dá para ter preferência quando o assunto é Caetano Veloso”, explicou.
Uma hora depois, Maiara Fernandes, 17 anos, se juntava às outras pessoas da fila. Precavida, levou um lanche e almoçou por ali mesmo. Com apostilas nos braços, ela aproveitava a espera para estudar, antes de ir para o cursinho à tarde.
Quem chegou ao Sesc por volta das 13h, enfrentou uma aglomeração de pessoas que dobrava a esquina, como o psicólogo Rodrigo Ballalai, 27 anos, o último da fila no momento. A expectativa para o show era grande. “É a primeira vez que o Caetano ousa fazer um show mais rock”, disse, referindo-se à turnê do CD “Cê” que o baiano trará à cidade no próximo dia 20.
O grande número de pessoas reunidas para conseguir ingressos reflete a carência de grandes shows em Bauru, na opinião do psicólogo. “Essa fila mostra a carência cultural de Bauru. Ainda mais quando é um show de Caetano Veloso, que há mais de 20 anos não vem à cidade. Eu mesmo nunca vi um show dele”, colocou.
Transtornos
Grande parte dos que enfrentaram horas de espera voltou para casa de mãos abanando. “Tivemos que dispensar. Fomos avisando que não teríamos mais como atender”, disse o animador cultural do Sesc, Rodrigo Nardini. Ele não soube precisar quantas pessoas ficaram sem ingresso.
Apesar do ginásio da unidade, onde Caetano vai se apresentar, comportar aproximadamente 2,5 mil pessoas, a organização preferiu limitar o número de ingressos para garantir a qualidade do show. “O show ficaria impraticável. Optamos pela qualidade e atendemos 2 mil pessoas”, afirmou.
Houve quem procurou o JC para reclamar de pessoas que teriam comprado mais de quatro ingressos, o número limite permitido divulgado pelos organizadores. O Sesc, no entanto, negou a informação. “Isso é impossível”, garantiu Nardini. Quem ficou na espera, fora da unidade, ainda presenciou pessoas furando fila. Mas, dentro do Sesc, funcionários controlavam a movimentação dos fãs.