Itapuí - O desespero de levar a esposa para fazer uma consulta médica em Jaú fez com que um motorista profissional pegasse, sem autorização, uma ambulância do Posto de Saúde de Itapuí (44 quilômetros de Bauru), no início da manhã de ontem.
Na terça-feira, Jorge de Oliveira Venore, 37 anos, teria agendado o transporte da esposa Maria Helena Francisca de Oliveira, 31 anos, na unidade de saúde de Itapuí. Há cerca de dois meses, ela agendou para ontem uma consulta médica em um hospital que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Jaú. Uma ambulância iria levá-la ontem de manhã.
Venore explicou que, ao acordar ontem, a mulher, que tem problemas de depressão, passou mal e ele ligou pedindo para a ambulância ir buscá-la em sua residência. “Liguei e pedi para mandar uma ambulância buscá-la em casa, porque não estava bem. Disseram que não tinha ambulância”, conta.
Ele, então, resolveu ir até o Posto de Saúde. Entretanto, ao chegar no local, o veículo, como costuma fazer todos dias, já tinha deixado a cidade de Itapuí, por volta das 6h. Ao perceber que a esposa perderia a consulta, marcada para as 7h, Venore teria pedido para o funcionário do Posto de Saúde para que a mulher fosse levada em outra ambulância. Com a negativa do funcionário, Venore chegou a procurar o prefeito na casa dele, mas foi informado de que ele se encontrava em São Paulo.
Desesperado, Venore resolveu pegar a outra ambulância que estava estacionada no local com as chaves na ignição. Dirigindo, ele partiu com a esposa em direção a Jaú. “Eu vi a ambulância com a chave, entrei. Sei que estou errado, mas na hora do desespero não vou pensar nisso. Montei na ambulância e fui embora”, conta.
Funcionários do Posto de Saúde acionaram a Polícia Militar (PM) de Itapuí, que avisou o Policiamento Rodoviário sobre o ocorrido. Venore e a esposa acabaram sendo abordados na Base do Policiamento Rodoviário de Jaú, por volta das 7h30. Ambos foram conduzidos ao 1.º Distrito Policial (1.º DP) de Jaú, inicialmente acusados de terem furtado a ambulância.
O delegado titular do 1.º DP, Luverci da Costa Mello, no entanto, não autuou Venore por furto por entender que ele não tinha a intenção de roubar o veículo, mas sim de socorrer a esposa. “Eu entendi que a intenção dele não era furtar e sim trazer a mulher até aqui (Jaú) e ele usou a viatura. Eu fiz um boletim e o liberei”, confirma Mello.
“Eu acabei ficando preso, a minha mulher perdeu o médico e eu não sei quem vai agendar este médico, porque já tinha sido avisado que, se ela perdesse uma consulta, não tinha como agendar mais”, argumenta.
Segundo o vice-presidente da Câmara de Itapuí, Vandir Donizete Viaro (PTB), a direção da Casa deve fazer um requerimento à Secretaria da Saúde para que este tipo de problema não ocorra mais. A reportagem ligou para a prefeitura, mas ontem era feriado no município e não havia expediente.