Quito - As principais federações de indústria e comércio do Equador publicaram ontem um anúncio conjunto nos jornais do país classificando como “atentado à economia social de mercado, garantida pela Constituição” o projeto de lei do governo Rafael Correa que pretende mudar as regras de funcionamento do sistema financeiro.
Entre outros pontos, a proposta de Correa, no Congresso desde maio, prevê a criação de um teto para as taxas de juros, veta a cobrança de comissões na concessão de empréstimos e muda o nível de compulsório (depósitos que os bancos têm de manter imobilizados).
O comunicado do setor produtivo diz que o projeto é político e não técnico, e pede que o Congresso o rejeite para evitar uma crise econômica semelhante a de 1998.
O anúncio se junta à campanha midiática feita pela Associação de Bancos Privados, que prevê um “desastre” caso as mudanças passem.
Ontem, Correa afirmou que a campanha é tentativa de intimidação. Defendeu também que a próxima Constituição proíba que bancos controlem meios de comunicação no país para evitar relação “incestuosa” entre os setores - o governo acusa uma TV controlada por um banqueiro de conspirar contra o ministro da Economia, Ricardo Patiño.