Brasília - A Câmara dos Deputados decidiu adiar para a semana que vem a votação da reforma política no plenário da Casa. Diante da divisão das bancadas partidárias sobre a lista fechada - um dos pontos da reforma -, o relator do projeto, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), decidiu pedir o adiamento da votação.
Os líderes partidários haviam fechado acordo para colocar em votação, além da lista fechada, o financiamento público das campanhas eleitorais e a fidelidade partidária.
A bancada do PSDB, no entanto, fechou ontem questão contra as listas fechadas - o que pesou na decisão de adiar a votação da reforma uma vez que a bancada reúne 57 deputados. “Foi uma puxada de tapete. A retirada do apoio do PSDB alterou o resultado. Não vamos para a votação sem fazer uma verificação dentro dos partidos”, disse o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), relator do projeto da reforma política.
Além do impasse dentro dos partidos sobre a reforma, o número elevado de emendas também prejudicou a votação da reforma. Caiado vai pedir à Mesa Diretora da Câmara o prazo de 24 horas para apresentar um novo substitutivo ao projeto da reforma.
O relator recebeu mais de 250 emendas ao projeto, o que na sua opinião merece maior reflexão sobre as mudanças. “Apesar de todo o meu esforço, não dei conta de concluir o relatório. Mas temos que votar a reforma política. O que alguns (contrários à lista fechada) estão comemorando é vitória de Pirro”, criticou Caiado.
O plenário da Câmara já havia sinalizado que deveria rejeitar a mudança para listas fechadas ao rejeitar requerimento que encerrava a discussão sobre o tema. Os deputados contrários à mudança avaliaram que, se a proposta fosse colocada em votação tarde da noite, o plenário estaria esvaziado - o que dificultaria a aprovação da reforma. Por isso, conseguiram impedir o fim da discussão.