Na região da avenida Nações Unidas entre o Parque Vitória Régia e a avenida Rodrigues Alves, as garotas de programa menores de idade não são bem vistas pelas outras moças que fazem ponto no local. “A gente manda elas embora daqui”, afirmou Lúcia, 21 anos, que ontem à noite esperava por um “cliente” em uma pequena praça da avenida. Segundo ela, as menores chamam atenção da polícia. “Quando eles levam as menores, levam todo mundo”, explicou.
“Aqui na Nações não tem menor, não tem sujeira. Não tem droga”, disse Fábia, 25 anos, como que fazendo propaganda do local. A moça afirmou já ter conversado com menores na avenida e pedido para que elas fossem para casa. “Eu sei porque estou aqui. Sei que não é o correto, mas estou aqui. Não gostaria, jamais, que os meus filhos viessem num lugar desses”, disse. Fábia contou que foi parar nas ruas depois de engravidar quando ainda era menor. “Não tinha cabeça e engravidei de caras que eu achava que me amavam. Tive que criar meus filhos”, afirmou, revelando em seguida que pretende deixar a prostituição. Antes de seguir para a esquina, ainda criticou os homens que procuram as menores: “O cara que procura uma menor não tem caráter. É como se estivesse saindo com uma criança”.
De acordo com Roberta, 21 anos, as meninas menores que passam pela Nações acabam na região central da cidade, principalmente na rua Ezequiel Ramos. “Mas elas vão correr como o diabo corre da cruz se virem o carro da reportagem”, adiantou.
Na Ezequiel, as prostitutas contaram que havia apenas uma menor na rua na noite de ontem. Alguns minutos mais tarde ela apareceu. Escondida em um agasalho que cobria a cabeça, não quis dar entrevista. “Vocês não colocam comida na minha mesa, o que querem saber da minha vida”, disse, brava, apertando o passo em direção contrária à reportagem.