Tribuna do Leitor

A escola que me ensinou a viver


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Eu não notei o tempo passar. A juventude, a mocidade, minha inocência, tudo passou sem que eu me desse conta de como o tempo é inexorável, não podendo acreditar que já, então, era mãe de duas meninas. O tempo continuou voando sem que eu me apercebesse, minha filha mais velha, deu-me um neto, Lucas (6 anos), dois anos após, a mais nova, dava-me uma neta, Lorena (4 anos). Avó! Vim; apavorante, eu avó. Sem conseguir concatenar coisa com coisa, passei a espelhar-me no amor que recebia de meus avós, em criança, dedicando-me então aos meus netos, com muito carinho e respeito, sem contudo entender realmente o que era ser avó.

Para mim, era difícil aceitar o fato a ponto de, por vezes, ao ser chamada por qualquer de meus netos, pelo prenome, delicadamente o repreendia, mas intimamente regozijando-me por não ter sido chamada de “vó”.

Entretanto, no último dia 28, quinta-feira, minha neta Lorena intimou-me a comparecer ao Colégio São José, onde ela e o Lucas são alunos matriculados. Como nesse dia é instituído o “Dia da Avó”, a turma dela iria homenagear as avós.

Sem me preocupar com o significado da data, mas para não decepcionar as crianças, preparei-me, dirigindo-me àquela casa de ensino, para acompanhar a homenagem mencionada. O que eu não imaginava, era a importância que aquelas abençoadas Irmãs de Caridade, daquela escola, davam àquela, para mim, insignificante data, até então.

Na homenagem, uma peça teatral representada pelas próprias professoras, comoveu a todos os presentes pela valorização dada à avó; netos e avós sentados, lado a lado, fazendo desenhos, palestras emocionantes e esclarecedoras da importância de um saudável relacionamento entre netos e avós, sendo ao final servido um bom lanche a todos os presentes. Antes mesmo de ser dada por encerrada a homenagem, eu já entendera a representatividade dos avós para os netos e, vice-versa.

O ponto culminante foi a arrecadação de pedaços de tecidos que cada criança levou, que foram passados àlgumas avós, para que levassem para suas casas, fazendo de tais retalhos uma colcha. Impossível descrever o carinho, a força, o amor, a abnegação e o carisma que emana de todos no Colégio São José, visto que eu que pensava estar em decadência, envelhecendo, após tudo aquilo que vi, ouvi e senti, posso dizer com muito orgulho, sou avó de dois lindos netos.

Muito obrigado, irmãs Inês, Marcia, Josefa, Ana Carolina, Conceição, bem como outras cujos nomes não me lembro; obrigado, professores, funcionários e outros colaboradores. Obrigado a todos que, com amor e muita emoção, fizeram-me descobrir que ser avó é renascer para uma nova vida cheia de alegria e glórias; é rejuvenescer, sobretudo quando me chamam de “vovó Solange”.

Solange Jorge da Silva - RG 9.145.254-5

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