São Paulo - As salas de embarque e check-in do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (região metropolitana de São Paulo), continuam lotadas. Os passageiros sofrem com desinformação até para saber em quais filas devem se dirigir para fazer o check-in. Os transtornos são conseqüência da suspensão de decolagens e pousos entre a noite de anteontem e a manhã de ontem - atribuída pela Infraero a um nevoeiro -, que refletiu em terminais de todo País.
Um balanço da estatal aponta que, até as 18h de ontem, 20,1% dos 1.409 vôos em todos os aeroportos do País registraram atrasos de mais de uma hora. No entanto, a situação dos passageiros que aguardam em filas é de falta de informação.
É o caso da publicitária Silmara Lopes da Costa, 43 anos, que chegou no aeroporto às 16h de ontem para fazer o check-in na Delta Airlines acompanhada de seu marido e dois filhos. Há seis meses eles programam as férias em Nova York (EUA). Às 17h30, 30 minutos antes de a empresa dar início ao check-in ela foi informada que precisava ir para outra fila. “Cheguei e a funcionária disse que era para ficar aqui, agora vou para o fim da fila. Por enquanto estou de bom humor e minha intenção é permanecer”, afirmou.
Apesar de estar desde anteontem tentando retornar para casa, o professor universitário Roberto Patrus, 40, tentava encarar com bom humor e com confiança a espera. Ele foi ministrar aulas para presidentes de empresas de Moçambique, na África, e seu vôo - um pacote da South África com conexão em São Paulo pela TAM para seguir para Belo Horizonte - deveria ter saído ontem de manhã, mas continua no solo. “O jeito foi comprar outra passagem e pagar dinheiro do meu bolso, já que a TAM só conseguiria me acomodar num vôo nesta quarta-feira”, afirmou.
Ele disse que procurou a empresa aérea mas foi informado de que não teria despesas de hotel pagas. Muitos passageiros passaram a noite no aeroporto de Cumbica. As decolagens foram retomadas às 5h04, com auxílio de instrumentos, e os pousos, às 6h44. Por volta das 14h, o terminal ainda operava com auxílio de aparelhos.
Balanço
Balanço da Infraero apontou que em todo País, até as 18h, ao menos 20,1% dos 1.409 vôos no País registraram atraso de mais de uma hora. A situação foi pior no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, com 45,6% dos 57 pousos e decolagens com mais de uma hora de espera. As operações no terminal também foram suspensas na manhã de ontem. Pousos e decolagens foram interrompidos também por causa da neblina. As decolagens foram retomadas às 9h30 e os pousos, por volta das 11h.
Mesmo com todos os transtornos, Cumbica teve 16,6% de atraso e não figurou entre os aeroportos com maior percentual de esperas - só não teve menos atrasos que Congonhas (zona sul de São Paulo), com 8%, de acordo com a Infraero. No entanto, de acordo com a Infraero, ao menos 31 vôos que chegariam em Cumbica tiveram de ser desviados até as 17h - três para o Tom Jobim, no Rio, 15 para Viracopos, em Campinas (95 quilômetros a noroeste de SP) e três para Congonhas.
Ainda segundo a assessoria da estatal, de abril a junho de 2006 o aeroporto teve 18 episódios em que o teminal operou por instrumentos devido a nevoeiros. No mesmo período deste ano, foram 16. Em 2006, de abril a junho, o maior período em que o aeroporto ficou fechado - ainda assim somente para pousos foi em 8 de junho. Neste ano foram 6 horas e 42 minutos - ocorrido entre 22h20 de anteontem e 5h04.