Brasília - O Comando da FAB estuda punir com prisão o presidente da Associação Brasileira dos Controladores do Tráfego Aéreo (ABCTA), Welington Rodrigues, por ele ter encaminhado mensagem ao congresso dos controladores, na semana passada, em Brasília, em que diz que o clima no Cindacta-1 é “doentio” e que controladores da Defesa Aérea, “sem habilitação ou curso radar” estão assumindo o controle do tráfego. Wellington está entre os 14 controladores transferidos do Cindacta-1 pelo comando da Aeronáutica por insubordinação para a Defesa Aérea.
É um dos líderes dos controladores. Como não foi liberado pela FAB para participar do evento, mandou um vídeo com mensagens como: “Estamos vivendo meses de inferno absoluto” ou “Controladores sem habilitação, sem curso radar, estão assumindo o controle (do espaço aéreo) numa operação de guerra”. A Folha de S.Paulo apurou que esta última frase foi a que mais irritou os oficiais. Segundo Normando Augusto Cavalcanti, advogado dos controladores, Wellington assinou anteontem uma ficha de apuração de transgressão militar.
Agora, ele tem dois dias para explicar sua atitude. Com base na resposta, a FAB decide se haverá punição. O próprio advogado disse que Wellington deve ser punido com dez dias de prisão a partir de sexta-feira. Questionada, a FAB respondeu: “Wellington não foi punido hoje”.
Outros dois controladores do Cindacta-3, no Recife, também teriam sido punidos por participarem do evento em Brasília. Segundo o procurador Fábio Fernandes, do Ministério Público do Trabalho, os sargentos Bessa e De Castro foram afastados do centro de controle. Eles foram identificados por imagens das televisões que registraram o evento. O chefe do Cindacta-3, coronel José Alves Neto, negou as punições e afirmou que Bessa está de férias.
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Vôos em excesso
Brasília - O chefe do Cindacta-4, em Manaus, coronel Eduardo Antonio Carcavallo, reconheceu ontem que antes do acidente com o avião da Gol os controladores de tráfego aéreo monitoravam mais vôos do que recomenda a regra internacional de aviação.
Em audiência realizada na CPI do Apagão Aéreo da Câmara, ele afirmou que essa situação dos controladores mudou após a tragédia, quando eles passaram a cumprir rigorosamente o manual - o que pode ser considerado um dos motivos que desencadeou a crise aérea. Foi a primeira vez que um oficial reconheceu que os centros de controle não respeitavam uma regra internacional. Sobre os problemas registrados nos aeroportos nesta semana, Carcavallo disse que “não existe greve dos controladores”, mas ressaltou que eles estão apreensivos “com o que pode acontecer em função de terem sido indiciados (por causa do acidente)”.
A Justiça Federal acusou quatro controladores, um deles por crime doloso (com intenção), pelo choque entre a aeronave da Gol e o jato Legacy, no qual morreram 154 pessoas em 29 de setembro do ano passado. Todos são do Cindacta-1, de Brasília. “O acidente mudou a postura dos controladores. Era uma situação normal haver mais do que 14 tráfegos na região controlada por uma dupla de controladores. Até num arranjo entre eles mesmos, eles aceitavam um pouco mais de tráfego em detrimento de chamar o pessoal que estava descansando. Com o acidente, qualquer flexibilização passou a ser vista como potencial problema com a Justiça”, afirmou Carcavallo em seu depoimento.
Os controladores, segundo ele, agora “são rígidos no cumprimento da norma” que estabelece um número máximo de 14 vôos para cada dupla.