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Dr. Automóvel: Novidades tecnológicas valem a pena?


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Como engenheiro, sou muito questionado se algumas das chamadas novidades tecnológicas realmente valem a pena, apesar de mais caras, ou se seria preferível manter a tecnologia antiga, mais barata. Minha resposta é sempre um veemente “depende”.

Vejamos alguns exemplos, como os pneus radiais, que substituíram os diagonais. Os radiais são muito mais estáveis e duráveis do que os diagonais, porém são mais duros e com menor resistência a cortes nas laterais. Portanto, seria de se considerar que para jipes o ideal seriam os diagonais, mas para a grande maioria dos outros veículos o pneu radial seria a melhor escolha.

Na semana passada nossa leitora Iolanda Vasconcelos perguntou sobre a diferença entre direção hidráulica e a elétrica, que é novidade, e se já é confiável ou não. Conceitualmente são dois sistemas diferentes de direção servo-assistida, que é uma evolução do antigo sistema de direção seco, pesado e sem ajuda, movido no braço. O sistema de direção hidráulica consiste em uma bomba de óleo acionada pelo motor (portanto, rouba potência), e uma caixa de direção com válvulas comandadas pelo volante, que fazem com que o óleo pressurizado auxilie no esforço de girar o volante para um lado e para o outro.

Hoje em dia é quase inaceitável dirigir um veículo sem direção hidráulica (carinhosamente apelidados de “queixo duro”), principalmente devido ao fato da maioria dos carros atuais terem tração dianteira e o peso sobre as rodas direcionais ser muito grande. Voltando à pergunta, os novíssimos sistemas de direção elétrica também auxiliam a manobra, porém não com óleo pressurizado, mas através de um motor elétrico. Por ser o sistema de direção um item de segurança ativa do veículo, foram exaustivamente testados pelas montadoras antes de serem colocados à disposição do público, e são hoje extremamente confiáveis quando originais de fábrica. Respondendo à pergunta da Iolanda, eu não teria nenhum receio de comprar um veículo zero com direção elétrica original de fábrica.

Outra dúvida comum é sobre as vantagens da injeção eletrônica sobre os bons e velhos carburadores. É a mesma relação entre a nova fotografia digital e a antiga e boa fotografia tradicional com rolos de filmes negativos. Mesmo depois de muito tempo de implementada a foto digital, os velhos rolos de filme e o processo químico de revelação ainda se mostravam com maior nitidez e contraste, porém hoje a coisa se inverteu, decretando a morte do antigo sistema para a maioria das aplicações profissionais.

O mesmo se deu com os carburadores, que atingiram uma evolução bastante elevada em termos de desempenho e consumo, e que somente depois de algumas décadas os sistemas de injeção mecânica e posteriormente eletrônica chegaram a um nível de custo compatível para seu uso generalizado. Aliou-se o fato de um sistema de injeção eletrônica permitir elevado controle de emissões e pronto, não se tem mais carburadores em carros novos.

Fato semelhante ocorreu com os sistemas de ignição eletrônica, que vieram a substituir os antigos distribuidores com platinados e condensadores. Este antigo sistema era pouco prático e necessitava de regulagens constantes, com eventuais trocas de peças, já o novo sistema quase ninguém percebe que existe, de tão pouco trabalho que dá, além de produzir centelha mais forte, melhor regulada e com variação monitorada.

O grande problema dos atuais sistemas eletrônicos de injeção e de ignição é que, quando dão problemas, geralmente necessitam de scanners computadorizados para sua detecção e quase nunca dão conserto, necessitando troca de componentes. Já os antigos carburadores e distribuidores eram facilmente consertados na estrada com arame, alicate e chave de fenda, quando necessário. Em contrapartida, a confiabilidade dos novos sistemas eletrônicos é muito maior e dificilmente vemos um carro parado na estrada por problemas nestes sistemas.

E, para terminar, hoje temos controles elétricos de acionamento dos vidros. Será que alguém ainda faz questão de usar as antigas maçanetas, se não for pelo custo? Neste e em outros casos, vale mais o conforto. Outros supérfluos como bancos elétricos e computadores de bordo são opcionais não essenciais, comodidades que podemos ter quando o dinheiro estiver sobrando no bolso.

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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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