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Churrasco Vicentino será domingo

Da Redação
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São 16h de quarta-feira e, apesar da paisagem tranqüila, composta pelas árvores e pela capela, o clima é de ansiedade. Os terrenos estão quase limpos, o chão está molhado e as barracas montadas, mas ainda há muito o que fazer até a chegada dos tão esperados visitantes, que encherão o local de vozes e alegria. Esse é o ambiente na Vila Vicentina - Abrigo para Idosos, que aguarda com expectativa o domingo, quando irá realizar o seu tradicional churrasco, o maior de Bauru e região.

Entre os quitutes, os famosos espetinhos de carne são os mais procurados: serão produzidos 15 mil, temperados pelo churrasqueiro Benjamim Domingues, que guarda a receita à sete chaves e só revela uns detalhes: noix (contra-filé da costela) temperado com sal refinado e limão. “Coloco um pouquinho de açúcar para tirar a acidez”, conta.

O sucesso não está apenas nas mãos dele, mas também nas de um dos moradores do abrigo, João Carlos dos Santos, 54 anos. Paralítico desde os 40, ele desenvolveu a habilidade para trabalhos manuais: sentado numa cadeira de madeira encostada na parede do lado de fora de seu quarto, ele confecciona com precisão os espetos de bambu que serão usados na festa. “Eu já sou patrimônio da Vila Vicentina”, declara após 10 anos de produção dos filetes.

Na sala de costura, as mulheres abrigadas terminam os últimos reparos nas roupas que irão usar no domingo. Vaidosas, querem usar modelitos novos para a festa. As peças vieram de bazares realizados pela Vila Vicentina, mas nem todas são do tamanho desejado: uma blusa vira uma regata e calça tamanho 50 se transforma em manequim 40 nas máquinas de costurar operadas por voluntárias e religiosas. Também ajudam nos preparativos para a festa, oito reeducandos do Instituto Penal Agrícola (IPA), que pintam as barracas e limpam o terreno.

As barracas de churrasco estarão protegidas pela sombra de dezenas de mangueiras da Vila Vicentina, bosque por onde irão passar quase 30 mil pessoas. Elas vão poder degustar o churrasco e outras comidas, como doces, sardinha na brasa e lingüiça, sentadas em bancos de madeira ou em mesas no bosque. Quem quiser garantir o vale-churrasco, poderá comprá-lo na Vila Vicentina por R$ 5,00 cada um. Mas se o apetite for grande, a dica é aproveitar o almoço que será servido no galpão, por R$15,00 por pessoa, com direito a comer à vontade, mais um sorvete e um doce.

A bebida será cobrada à parte. A garotada poderá brincar em pula-pula, piscina de bolinhas, cama elástica e tobogã. E, quem nunca deixou de ser criança, poderá se divertir num touro mecânico.

Enfermaria

A expectativa dos administradores da Vila Vicentina é lucrar R$50 mil com o churrasco. O principal destino dessa verba será ampliar a enfermaria, que tem capacidade para atender 20 pessoas e hoje já tem 30. “Daqui a pouco vamos ter que fazer beliche”, brinca a presidente do asilo, Delfina Rosa Pregnolato.

“A nossa enfermaria está pequena. Precisamos de mais espaço para poder atender os outros moradores que podem precisar dela mais tarde”, explica. O asilo é mantido por contribuições dos governos federal, estadual e municipal, bazares, doações e eventos.

O churrasco é realizado desde 1951, quando os vicentinos iam à fazendas da região pedir mantimentos para a festa. Eles ganhavam inclusive gado, que era morto e preparado na vila. Hoje, são comprados 3 mil quilos de carne e 500 quilos de lingüiça para serem assadas no mesmo galpão onde há 56 anos a festa é realizada.

O churrasco começa às 10h no domingo, mas à 8h será celebrada missa na capela da Vila Vicentina. Haverá ônibus extra, saindo da quadra 7 da avenida Rodrigues Alves, em direção ao asilo.

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