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Lula responde a Chávez: ‘Quem não quer ficar, não fica no Mercosul’

Folhapress
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Brasília - O presidente Lula respondeu ontem, em Lisboa, ao ultimato lançado anteontem pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao Congresso brasileiro, de que retiraria o pedido para ingressar no Mercosul se a entrada de seu país no bloco não ocorresse em até três meses. “Para entrar (no Mercosul) tem que ter regras, mas, para sair, não tem regras. Quem não quer ficar, não fica”, afirmou Lula.

Apesar da declaração, o presidente defendeu a participação do país no bloco, lembrando os projetos conjuntos entre as estatais Petrobras e PDVSA, e disse que conversará pessoalmente com Chávez assim que tiver uma oportunidade. O embaixador da Venezuela no Brasil, Julio Garcia Montoya, disse ontem a deputados e senadores brasileiros que seu presidente, Hugo Chávez, foi alvo de um mal-entendido anteontem e que o país vizinho compreenderá o ritmo de trabalho do Legislativo brasileiro.

Segundo o embaixador, Chávez manifestou pressa em entrar no Mercosul e sua vontade de que isso ocorra até o fim de setembro. A visão do embaixador contrasta com as palavras oficiais do presidente venezuelano divulgadas pela Agência Bolivariana de Notícias.

Disse Chávez no Palácio Miraflores: “Se, em um período de três meses não se completar a adesão da Venezuela ao Mercado Comum do Sul teremos que, lamentavelmente, nos retirar definitivamente desta instância internacional.” Montoya reuniu-se sob sigilo com parlamentares da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. “O embaixador explicou que a recente manifestação do presidente venezuelano, Hugo Chávez, não teve a intenção de ser um ultimato ao Congresso brasileiro, mas sim de demonstrar a vontade de seu país de integrar o Mercosul no menor espaço de tempo possível”, diz a nota da comissão.

O senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), que relatava o projeto na Comissão Conjunta do Mercosul, enviou o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul para o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), anteontem. “Deixamos a presidência da Câmara à vontade. Esperávamos a criação da Comissão de Representação junto ao Parlamento do Mercosul, como isso não aconteceu ainda não seríamos nós a atrapalhar”, disse.

A criação da comissão está parada devido ao acúmulo de medidas provisórias trancando a pauta, diz Zambiasi. Além disso, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que preside o Senado, responde a processo no Conselho de Ética. Depois de despachado por Chinaglia, o protocolo de adesão será analisado pelas comissões de Relações Exteriores e Constituição e Justiça, pelo Plenário da Câmara e pela Comissão de Relações Exteriores do Senado.

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