Houve uma época em que o Brasil olhou o rock como um sopro de novidades. Obviamente, na terra da cana-de-açúcar e do café, isso ia virar monocultura. O rock dos anos 80 pela ótica do cinema é o trajeto que percorre “A Gente Fomos Inútil?”, que o Canal Brasil apresenta hoje, às 19h30.
A efervescência do rock carioca, principalmente no Circo Voador carioca, aliada a uma geração de atores como Diogo Vilela e Débora Bloch, acabou levando alguns diretores, como Lael Rodrigues, Adnor Pitanga e João Elias Jr. a uma produção de filmes adolescentes que o Brasil jamais voltaria a ver. Não era inédito. A própria jovem guarda teve Roberto e Erasmo como astros de cinema. Mas títulos como “Beth Balanço”, “Menino do Rio” e “Rock Estrela” se tornaram coqueluche, porque se sintonizavam com a necessidade de mais festa.
O engajamento político já cansava a juventude, e o rock ditava estéticas como o clipe. O programa entrevista músicos, atores e diretores para compreender um momento, que ao fim, poucos vestígios deixou no cinema. Há muito pouco de cinema nacional sendo produzido para quem tem entre 14 e 18 anos. O cinema do Brasil se desinteressou pelo adolescente classe média. E talvez isso explique o desinteresse do adolescente classe média pelo cinema nacional.