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‘Não existe uma cidade feliz, existe uma cidade de gente feliz’


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As cidades não são organismos inanimados, elas pulsam, vibram, crescem, padecem e às vezes sucumbem à sua volúpia de viver. São como seres vivos que se contaminam endo e exoginamente com doenças que os paralisam. Se no homem a poluição, o tabagismo, o sedentarismo, o stress demolem-no, na cidade a inanição, a falta de estratégia, a corrupção, o descalabro, a apatia fazem-na apagar nos cenários nacionais. Muitos urbanistas e sociólogos malthusianos só perolavam até a década de 30 do século passado sobre cidades que vicejavam na onda de crescimento global que marcou a passagem do século XIX para o século XX.

Mas não foi assim no limiar do século passado e talvez seja pior no atual. As cidades necessitam, além de sua gente-cidadã, de economias que as impulsionem. E hoje elas estão atreladas intrinsecamente a um inexorável modelo global de desenvolvimento com a agravante das novas tecnologias que surgem e apagam as velhas num nano tempo assim como a democracia impele os habitantes a serem mais exigentes nas suas condições de reproduzir sua existência no microcosmo em que vivem – a cidade. Um exemplo clássico de cidade que sucumbe à sua própria história é Detroit – a capital do automóvel. Hoje é decadente e sem luz, símbolo de cidade–fantasma.

Tudo isto para chegar à nossa Bauru tão querida, tão amada mas tão maltratada. Bauru é uma grande cidade e pólo regional acadêmico, rural, industrial e de serviços. É a última cidade de porte do Estado de São Paulo na rota do Mercosul que liga o Atlântico ao Pacífico deixando para trás um país mediterrânico para o atual Brasil mesopotâmico. Possui as cinco vias necessárias para o desenvolvimento nos dias de hoje.

Rodovias, vias terrestres capeadas, circundam-na ligando-a a todas as regiões do Brasil e para fora dele. Ferrovia, via terrestre aceira, que nos ligava ao Pacífico e hoje privatizada sucateia-se o orgulho Noroeste serpenteando abandonada seus trilhos nos campos que nos rodeiam e sepultando nas estações glamourosas de seu tempo os sonhos dos ferroviários da Rede. Hidrovia, via fluvial, a Hidrovia Tietê-Paraná que serve Bauru através do tramo de Dois Córregos e liga os Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste a Nueva Palmira, Uruguai, último porto ribeirinho da Bacia do Prata e que já escoa hoje milhões de toneladas de bens e insumos modernos com o menor custo logístico. Aerovia, via aérea, o novo Aeroporto Arealva-Bauru, com seus 2.200 metros de pista e com sua localização geográfica e altitude permitem-no operar não somente passageiros, mas também cargueiros com produtos de alto valor agregado. Encontra-se ali inaugurado homenageando Moussa Tobias esperando uma intervenção político-econômica. Infovia, via do conhecimento, que permite hoje por rede de satélites e estações terrestres como a nossa, interligar-se em tempo real com o mundo, exigência fundamental para sofisticadas economias. O principal, Bauru tem a sua gente, o bauruismo, orgulho altivo de ser cidadão desta terra, aqui nascido ou aqui chegado, construindo um futuro.

Décadas atrás dois prefeitos marcaram o Estado de São Paulo e inovaram as cidades - Ruy Novaes, em Campinas, e Alcides Franciscato, em Bauru. Franciscato, engenheiro agrônomo, é destacadamente o homem desbravador e o melhor entre tantos outros que com méritos prefeituraram Bauru. Ele se colocou a postos para defender a cidade sem limites, como nós, hoje, temos por obrigação continuar a fazê-lo. Abriu-a ao mundo, dedicou-se a ela e jogou todo seu enorme prestígio (e muitas vezes seu próprio dinheiro) para que a cidade fosse o que ela se tornou - orgulho do oeste paulista. Por que não reeditamos a história? Faltam Franciscatos? Não creio. Há em Bauru uma plêiade de homens e mulheres de primor intelectual, empresarial, social e político.Faltam vontades para ser Franciscato.

Construamos um projeto para todos e inovando valores. Valores onde não existam vontades individuais nem egos nutridos por vaidades. Não se confundir o público com o privado. Partidos que são importantes como entes institucionais, mas há que subordiná-los a uma vontade local – desenvolver Bauru. Projeto para todos. Na Democracia não há uma única idéia nem um herói que se sobreponha ao coletivo dos cidadãos – a sociedade. Para que afastemos este mefistofélico astral que vivemos há que se tomar uma necessária poção de civismo, humildade, tolerância e serviçalismo à nossa cidade. Não se propõe um projeto que abstraia o voto, esta inexpugnável barreira ao autoritarismo, mas que se votem e se disputem idéias para se eleger vereadores e prefeito sob uma égide que não exige unanimidade mas pode se consolidar numa Frente por Bauru.

O autor, João Herrmann Neto, foi prefeito de Piracicaba, deputado federal, parlamentar do Mercosul e é empresário da região de Bauru

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