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Série C: Na Terceirona, Vítor Hugo encara um dos maiores desafios da sua carreira

Rodrigo Allegro
| Tempo de leitura: 5 min

O técnico noroestino Vítor Hugo tem, a partir de hoje, um dos maiores desafios da sua longa carreira. Nascido no Rio Grande do Sul, mas com grande identidade com o Noroeste, inclusive atuando como zagueiro em 1987, num dos maiores times da história do clube, Vítor Hugo defendeu o Norusca por dez vezes, sendo seis como jogador e quatro como treinador.

O ex-zagueiro concedeu entrevista para o Jornal da Cidade, antes do embarque para Nova Friburgo, onde falou da sua relação com o clube bauruense, sobre o desafio de levar o time à Série B, com um orçamento bem abaixo do Paulista, dos adversários da Primeira Fase e também da sua saída do Noroeste, após conseguir o acesso à Série A2, em 2004. A seguir, leia os principais trechos da entrevista ao JC.

Jornal da Cidade - Como vem o Norusca para esta Série C?

Vítor Hugo – Nós procuramos trabalhar da melhor maneira possível nesse curto espaço de tempo, realizando os jogos-treinos para tentar chegar no dia da estréia (hoje) com uma condição razoável.

JC - O tempo de preparação não foi muito curto?

Vítor Hugo – Foi. Mas a diretoria fez todo esforço possível e mesmo com os reforços chegando em cima da hora, nós temos todas as condições de realizar uma ótima campanha.

JC – Essa nova realidade da diretoria do Noroeste, além da demora nas contratações pode ser prejudicial na luta pelo acesso?

Vítor Hugo – Eu procuro ser otimista sempre. Foi o ideal essa montagem em cima da hora? Não, não foi. Mas eu volto a repetir que a diretoria fez todos os esforços inclusive para disputar o campeonato, já que chegou a ser cogitado até a possibilidade de não participar. Agora, é esquecer todos os problemas e lutar pelo acesso.

JC – Você sabia antes de assumir o comando técnico do Noroeste que teria um orçamento abaixo do que teve o Paulo Comelli, por exemplo?

Vítor Hugo – A diretoria não escondeu as dificuldades da imprensa, dos torcedores e não faria isso com o técnico do time. Hoje em dia, as dificuldades para montar e, principalmente, manter uma equipe são enormes e aqui não é diferente.

JC - Ficou uma mágoa com essa diretoria após sua passagem em 2004, quando você conseguiu o acesso à Série A2, mas acabou não permanecendo como técnico?

Vítor Hugo – Pra alguns, que eu prefiro não citar nomes, eu realmente fui injustiçado por não ter tido a chance de dar continuidade na A2, mas eu preferi não polemizar e seguir o meu caminho. Muitas vezes, mesmo você ganhado, você acaba não agradando A ou B. Nessas horas, aquele velho chavão acaba valendo: são coisas do nosso futebol. O que eu tenho certeza é que eu quero realizar uma ótima Série C e dar seqüência no Campeonato Paulista e quem sabe numa Série B em 2008.

JC- Você confia então plenamente no presidente Damião Garcia e na diretoria. Se você percebesse alguma coisa errada não assumiria esse risco de ser demitido após outro êxito?

Vítor Hugo - Eu confio e está tudo certo. No futebol, em determinadas situações, uma equipe não é formada como a gente gostaria, mas, por outro lado, esse mesmo grupo pode ganhar força no meio da competição e surpreender a todos.

JC- Qual a análise do seu elenco? Dá para subir mesmo de divisão?

Vítor Hugo – Nossa equipe hoje não é melhor e nem pior do que nenhuma que começa a Série C. Esse elenco atual está se ajudando e ficando unido, isso faz a diferença. Você pega desde os nossos goleiros até o setor da frente e vê que se trata de uma equipe equilibrada e que pode ir longe.

JC - Você sempre frisou que a Série C é diferente das demais. Explique melhor?

Vítor Hugo – A Série C é um campeonato muito difícil, onde a primeira fase já é decisiva e eliminatória. De quatro equipes apenas duas avançam. Então, a margem de erro acaba sendo mínima e até ilusória, já que derrotas bobas podem ser fatais na frente.

JC- Qual a sua experiência em Série C?

Vítor Hugo – Eu disputei apenas como treinador no Moto Clube e no Cene.

JC- Faça uma análise dos três adversários do Noroeste nesta fase?

Vítor Hugo – Os três times são muito difíceis. O Friburguense fez uma pré-temporada de 12 dias, além de jogos-treinos e está muito bem preparado para a competição. O Volta Redonda (segundo adversário) possui uma estrutura ótima, fez boas contratações e está em plena atividade, já que vem disputando a Copa Rio. O Rio Claro manteve os jogadores que disputaram o Paulista e foi para Alemanha realizar pré-temporada e amistosos. Na minha opinião, antes de começar o campeonato, o Rio Claro leva um pequeno favoritismo em relação ao Noroeste e os dois times do Rio de Janeiro. Nós estamos num dos grupos mais fortes desta Primeira Fase.

JC – E estrear fora de casa, na sua visão, foi bom ou ruim?

Vítor Hugo – Eu achei bom, porque nas partidas de volta, quando será a hora de decidir mesmo a vaga, nós vamos atuar em Bauru e diante da nossa torcida.

JC – Como você define esse Noroeste que você formou?

Vítor Hugo – Eu vejo a nossa equipe com uma marcação forte, com velocidade na saída de bola e jogadores técnicos na frente. Eu acredito que, se esses dois fatores (marcação e velocidade) forem implantados com qualidade, nós teremos chances de demonstrar um bom futebol e brigar pelo título.

JC- Uma curiosidade: por que você não tem uma comissão técnica? Opção sua ou da diretoria?

Vítor Hugo – A segunda hipótese. Eu tenho meus auxiliares, mas aqui no Noroeste, em razão da contenção de gastos, não foi possível trazer.

JC – Mudando de assunto, a polêmica em torno do futebol de hoje e do passado sempre vem à tona, como você vê o futebol de agora?

Vítor Hugo – O futebol hoje em dia é marcação pura, principalmente do meio para trás. Independente de ser atacante, meia ou volante, o jogador deve marcar por setor e passar da linha da bola. O posicionamento correto e a velocidade na saída de bola são fundamentais para ter uma equipe coesa.

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