Economia & Negócios

Vaivém do álcool e gasolina confunde os consumidores

Por Thatiza Curuci | Com Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Se já não bastasse ser “equilibrista” para organizar o orçamento doméstico, agora os consumidores de Bauru precisam conhecer também um pouco sobre o funcionamento da Bolsa de Valores para “prever” qual será o preço dos combustíveis a cada dia. As diversas mudanças de valores ocorridas nas últimas semanas têm irritado e confundido os proprietários de veículos.

Ontem, enquanto a reportagem pesquisava preços e ouvia consumidores, alguns postos foram flagrados trocando as faixas com os valores de álcool e gasolina. Em aproximadamente 15 dias, a população foi surpreendida quatro vezes pelos efeitos do que o setor chama de “guerra de preços” entre os postos revendedores.

Neste período, o preço do álcool oscilou entre R$ 1,59 e R$ 0,85. A gasolina sofreu variações de R$ 2,49 a R$ 2,17. Mais do que confuso, o consumidor quer entender o porquê de tanta variação nos preços dos combustíveis. Nesta semana, a Redação do Jornal da Cidade recebeu e-mails, telefonemas e fax de pessoas questionando a situação.

Segundo Edivaldo Tuschi, proprietário de postos e diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, apesar do preço oscilar tanto, a explicação é simples. “Trata-se de uma guerra de preços para manter a clientela”, resume.

Sem bandeira

Segundo ele, os postos sem bandeira (sem marca) compram gasolina e álcool mais baratos das distribuidoras e baixam os preços de venda. Para acompanhar, os postos com bandeira (Shell, Texaco, Ipiranga, Petrobras, entre outros) diminuem a margem de lucro e também baixam os preços. Isso porque os estabelecimentos sem bandeira podem comprar combustível de qualquer companhia e, conseqüentemente, têm maior poder de negociação.

Entretanto, conseguem manter o valor baixo por poucos dias. Por isso, os preços sobem logo em seguida. “No mercado paralelo, o proprietário de posto até consegue pagar menos, mas os que representam alguma bandeira não (conseguem), porque já trabalham com uma margem de lucro muito baixa”, explica Tuschi.

Segundo ele, o vaivém dos preços prejudica o consumidor a longo prazo. “A guerra de preços está cada vez maior. Se continuar assim, poderá haver demissões e falência de postos, como aconteceu em Piracicaba”, prevê.

Custos

Tuschi afirma que para cobrir seus custos, os postos precisam vender os combustíveis a pelo menos R$ 0,30 acima do valor pago para o distribuidor. Notas fiscais de compra de álcool obtidas ontem pela reportagem junto a um empresário do ramo mostram os atuais preços de custo de cinco distribuidoras: Shell (R$ 0,84), Texaco (R$ 0,94), Petrobras (R$ 0,86), Ipiranga (R$ 0,83) e Esso (R$ 0,85).

O início da safra (colheita) da cana-de-açúcar em abril fez com que a oferta (quantidade) do álcool aumentasse e o preço de custo caísse: lei da oferta e procura. Os preços repassados ao consumidor final também deveriam permanecer baixos, mas o sobe-e-desce continuou surpreendendo a população.

O engenheiro mecânico Nicolau Assis Neto, 55 anos, foi um dos que comemoraram a queda do preço do álcool na semana passada, mas sabia que poderia ser algo passageiro. “Como tenho carro a álcool, era vantagem há uma semana atrás. Mas sabia que era tudo especulação de preços”, afirma. “Os usineiros são responsáveis pelo fim do Pró-Álcool (programa do governo), que era extremamente benéfico para o País”, avalia.

O operador de cobrança Fábio de Paula, 19 anos, já cansou de tentar prever qual será o preço do combustível. “É ruim (o vaivém) porque o cliente tem que ter uma segurança (do preço). Para procurar um lugar mais barato, é preciso ficar ‘rodando’ com o carro e gastar mais”, reclama.

Ele diz que tem carro em casa, mas que fica a maior parte do tempo na garagem. “Não uso muito. Prefiro deixar em casa para economizar. Venho trabalhar de ônibus porque sai mais barato. Não está compensando ter carro, principalmente por causa do preço da gasolina”, diz.

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