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Copa América: Sem firula, Brasil enfrenta Chile por vaga nas semifinais

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Puerto La Cruz - Se tem uma coisa que você não deve ver na estréia do Brasil no mata-mata da Copa América hoje, às 21h50, contra o Chile, é firula. Segundo o técnico da seleção, Dunga, não há time vencedor com tal recurso.

“Nunca vi um time sem qualidade ser campeão, mas já vi muitas vezes um time que faz firula perder”, falou o treinador, que fará seu primeiro jogo eliminatório na profissão que abraçou há menos de um ano.

Após 11 amistosos e três jogos na fase de grupos da Copa América na Venezuela, Dunga admite um pouco de apreensão com o caráter da partida. “É um jogo decisivo, tem que estar mais atento, muito ligado. Os dois times jogam mais do que na primeira fase. Claro que o técnico fica mais apreensivo. Mas o regulamento é assim. Não tenho preferência por mata-mata ou ponto corrido”, disse Dunga, que cita como exemplo mais Luiz Felipe Scolari, expert em mata-mata, do que Vanderlei Luxemburgo, adorador dos pontos corridos.

Após a vitória por 3 a 0 sobre o mesmo Chile no segundo jogo da equipe na Venezuela, Dunga classificou o futebol de seu time como de “competição”. Manteve ontem o discurso de que não importa jogar bonito.

“Sempre vão cobrar que a Seleção vença e que jogue bonito. Isso foi com os treinadores passados e será com os próximos. Mas futebol só tem uma verdade, a do campo. Trato daquilo que é a realidade. Hoje, há muita marcação, pouco espaço, o raciocínio precisa ser mais rápido”, disse Dunga sobre a possibilidade de o time encantar.

Segundo ele, é possível um time conciliar jogo bonito com eficiência. “O ideal seria uma mescla da Seleção de 1982 (que encantou na Copa, mas perdeu) com a Seleção de 1994 (que ganhou o tetra). Mas essas Seleções são passado. Não acho que a Seleção atual esteja atuando mal. Estou satisfeito com o trabalho que está sendo feito.”

Indagado se faltava alegria ao time brasileiro, tirando Robinho, ele apontou várias formas de alegria numa equipe de futebol. “As pessoas vêem alegria só no drible. Mas, para o zagueiro, alegria é se antecipar. Para o goleiro, é fazer uma defesa. Para o lateral, é fazer um cruzamento”, respondeu.

Dunga se irritou com perguntas sobre a Argentina, que se classificou com 100% de aproveitamento e apresenta o melhor futebol do torneio. “A Argentina joga com três volantes também. O Cambiasso é volante, o Verón é volante. Eles podem, nós não”, disse ele, sem citar Mascherano, que figura como primeiro volante e que fez o gol da vitória de 1 a 0 sobre o Paraguai, anteontem.

Até pela comparação, Dunga deve utilizar hoje novamente três volantes em sua equipe: Gilberto Silva, Mineiro e Josué. Dos três, Mineiro é quem mais tem a incumbência de chegar à frente, como fazia no São Paulo. Os outros dois, diferentemente dos volantes argentinos, pouco vão à frente - são basicamente marcadores.

Chile

O técnico Nelson Acosta é só preocupação. “Já enfrentamos o Brasil de igual para igual e fomos mal. Já jogamos fechados e também não fomos bem. É difícil planejar essa partida”, falou o treinador do Chile, que perdeu de 5 a 0, 4 a 0 e 3 a 0 nos últimos jogos contra o Brasil.

O meia palmeirense Valdívia se recupera de lesão cervical, mas deve jogar. O esquema deve ser o 4-4-2, diferente do que foi usado na fase de grupos, quando o time teve três zagueiros. “Conseguimos a classificação, que era o que queríamos, mas as pessoas no Chile não estão contentes com o time”, constatou Acosta.

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