Silverstone - Lewis Hamilton passou ontem por mais uma prova crucial em sua curta carreira na F-1. E, como tem acontecido desde sua estréia na categoria, há oito GPs, foi aprovado com louvor. Diante dos fanáticos torcedores que lotaram as arquibancadas de Silverstone, cravou a pole para o GP da Inglaterra, que acontece hoje, às 9h, em nenhum momento se deixou abater pela pressão de correr pela primeira vez em casa. E pressão não faltou no treino que definiu o grid da nona etapa do Mundial de F-1. Em quarto até os últimos minutos da sessão, Hamilton sabia que precisava levar seu McLaren ao limite para conseguir a pole. E foi justamente isso que fez.
“Nas últimas curvas eu sabia que estava acima três décimos ou algo parecido. Quando você tem esse tipo de pressão, ver os torcedores nas arquibancadas é fantástico”, disse o inglês, que pela terceira vez nesta temporada vai largar em primeiro. “Eu cruzei a linha de chegada e podia ouvir todo mundo do lado de fora”, continuou Hamilton, 22. “Foi uma classificação extremamente intensa. As Ferrari e o Fernando (Alonso) estavam muito rápidos.”
A disputa pela pole parecia mesmo estar entre o bicampeão e a dupla ferrarista Felipe Massa e Kimi Raikkonen. O brasileiro e Alonso foram para a volta rápida juntos. Massa fechou as duas primeiras parciais com tempo melhor, mas o espanhol conseguiu ficar à frente e com a pole provisória. Mas não teve tempo nem de comemorar, já que Raikkonen baixou o tempo na seqüência, apesar de uma escapada no fim de sua volta. E quando as posições pareciam já estar definidas, Hamilton fez sua mágica.
“Fui para o tudo ou nada na última volta. Sabia que tinha que dar tudo e acho que fiz um belo trabalho. Estou muito empolgado para a corrida”, disse. Raikkonen sai em segundo, seguido por Alonso e Massa. “Não sei se o público conseguia me ouvir, mas eu estava gritando tão alto quanto eles no capacete”, afirmou o novato, líder do campeonato, que foi aplaudido em pé pelos torcedores. “Quase fiquei sem voz.”
Hamilton é o primeiro inglês a conquistar a pole em Silverstone desde Damon Hill, em 1996. É também a primeira de um piloto do país desde a de Jenson Button na corrida da Austrália do ano passado. Aos “derrotados” restaram as lamentações. “Errei na última curva e perdi muito tempo, mas não é nada que dê para mudar agora”, falou Raikkonen. “Estou desapontado, mas vou tentar fazer uma boa largada.”
Alonso, que vem sendo ofuscado pelo companheiro de McLaren desde o começo do ano, também choramingou. “Queria a pole, mas terceiro foi o melhor que pude”, afirmou. “Tomara que eu consiga fazer ultrapassagens durante o GP.”
A pole do inglês serviu também para desviar o foco da categoria do escândalo de espionagem que envolve a McLaren. Mike Coughlan, projetista chefe da equipe, é acusado de ter recebido um pacote contendo dados confidenciais da Ferrari de Nigel Stepney, ex-chefe dos mecânicos do time italiano, que foi mandado embora na semana passada após ser descoberto.