Ao contrário da maioria dos bairros da cidade, asfalto não é o problema dos moradores do Residencial Nova Bauru. Criado em 1999, o bairro conta com boa infra-estrutura, mas isso não é suficiente para deixar os moradores satisfeitos, afinal, asfalto ajuda, mas não é tudo.
Entre as principais queixas dos moradores do bairro mais ao norte de Bauru, a falta de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal queixa. A Prefeitura justifica a ausência, afirmando que há três equipes do Programa Saúde da Família (PSF) no local, com previsão para implantação de mais uma até o final do ano.
No entanto, para quem vive no limite norte da Cidade sem Limites, a situação é bem mais complicada. A comerciante Daniela Contrera Alda conhece bem a realidade dos moradores do Nova Bauru. Proprietária de uma loja de rações na entrada do bairro, ela conta que os vizinhos se ajudam para não ter que depender dos serviços públicos.
Ela comenta que só há posto de saúde nos bairros vizinhos, Pousada da Esperança e Vila São Paulo, mas eles não atendem quem vive em determinadas ruas do Nova Bauru. “Quem precisa passar no médico tem que ir no Pronto-Socorro ou no posto da Bela Vista”, diz.
O fato de ter que se deslocar para ser atendido desencadeia outro problema, o transporte. Para a comerciante, apesar de haver linhas regulares que chegam no bairro, a demora entre um coletivo e outro afeta muito os moradores que precisam. Aí, entram em cena os vizinhos que têm carro. “Se não contar com a ajuda dos vizinhos fica difícil”, afirma.
O recepcionista de hotel Mauro Martins faz coro à comerciante e afirma que só é possível viver no local porque um vizinho ajuda o outro. Ele considera o Nova Bauru um bairro esquecido pelo Poder Público, onde os políticos só aparecem em época de eleição.
A situação também se complica quando alguém precisa de medicamentos. A farmácia mais próxima está localizada no Núcleo Gasparini e só fica aberta até as 20h, ou seja, se houver necessidade de algum medicamento além desse horário, é preciso contar com a solidariedade dos vizinhos para ir a outro bairro, procurar um estabelecimento aberto, já que, pela distância, as farmácias não fazem entregas.
Outro problema detectado pela comerciante Daniela Alda é na área de educação. Neste aspecto, a principal demanda é com relação às creches, atuais Escolas Municipais de Educação Infantil Integrada (Emeiis). Segundo Daniela, só há opções na Pousada da Esperança, e não é suficiente para atender a quem precisa.
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Saúde
Moradora da região norte, a doméstica Márcia Helena Cerci afirma que “falta estrutura em tudo”, desde comércio até a principal queixa: a falta de posto de saúde para atender a população local. Ela diz que para ser atendido nas UBS dos Núcleos Mary Dota e Gasparini é preciso acordar de madrugada, ainda assim sem a garantia de conseguir vaga. “O Programa Saúde da Família não atende todo mundo”, reclama.
A vizinha de Márcia, a atendente Ana Cláudia Garcia também se queixa, com mais ênfase ainda, já que tem uma filha de 1 mês, Ana Beatriz. De acordo com a atendente, a mudança para PSF pegou os moradores do Nova Bauru de surpresa. “Fiz meu pré-natal lá, depois que minha filha nasceu, mandaram procurar o posto do Mary Dota ou Gasparini, porque não tinha cadastro no PSF”, destaca.
Ana Cláudia conta ainda que a situação é mais complicada, pois há algumas ruas do bairro que são contempladas com o atendimento do PSF, enquanto outras são excluídas. De acordo com ela, até foi possível utilizar o posto durante algum tempo, mas depois não teve mais como, por causa do cadastro. “O que mais precisamos é de um posto de saúde. Disseram que vão fazer um, mas vai demorar”, comenta.
Além da saúde, outra preocupação dos moradores é com educação e lazer. As creches existentes nas proximidades não atendem a todos, a própria Ana Cláudia conta que está na fila de espera, pois se não conseguir vaga não pode voltar a trabalhar, pois não tem com quem deixar a filha.
No quesito lazer, a situação não é diferente, já que não há opções no bairro, e as crianças costumam brincar na rua. A única opção, segundo Mauro Martins, é o Projeto Formiguinha. “Eles fazem um trabalho social muito bom”, diz.
O projeto citado por Martins ajuda o Centro de Referência em Atendimento Social (Cras), que oferece cursos de qualificação profissional, programas de geração de renda, cursos complementares à escola para crianças, programas de preparo para o primeiro emprego para jovens e até uma brinquedoteca, onde os pais podem deixar seus filhos enquanto participam dos cursos.