Bairros

Leste e oeste mostram dois lados da moeda

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Morar nos extremos pode ser ruim, ou pode ser agradável, dependendo de onde e como se vive. No caso dos extremos leste e oeste de Bauru, as realidades são parecidas em poucos aspectos. Na maioria das situações enfrentadas pelos bairros Santa Terezinha e Val de Palmas, é possível fazer distinções. A principal delas é o asfalto.

No Parque Santa Terezinha, último bairro da zona leste, as ruas são asfaltadas e predomina um ar de tranqüilidade, típico das pequenas cidades do Interior. As queixas dos moradores são reduzidas se comparadas a outras regiões da cidade. Não é o caso de chamar a região de oásis, como fez um morador do Residencial Lago Sul, mas se comparado com algumas regiões, o local chama a atenção pela calmaria.

Ao contrário do Nova Bauru, onde os moradores se queixam da falta de posto de saúde, quem vive no Santa Terezinha não vê problemas em se deslocar até o Núcleo Otávio Rasi para ir ao médico. Apesar de não reclamar, a dona de casa Marilene Arruda Ramos diz que, se tivesse um posto no local, facilitaria ainda mais a pacata vida do bairro.

No entanto, ela se queixa da falta de uma creche. “Precisava ter creche, porque a do Rasi não dá conta”, afirma. A dona de casa cuida de quatro crianças da vizinhança, para que os pais possam trabalhar. Mesmo ganhando alguns trocados pelo serviço, ela aceitaria de bom grado um creche, para que pudesse cuidar de outros afazeres.

O operador de máquinas Adriano Santos também não reclama. Para ele, a tranqüilidade do bairro compensa a falta de alguns serviços. “Apesar de ser longe, o pessoal não reclama muito não”, diz.

Se no extremo leste a vida tranqüila compensa algumas deficiências, do outro lado da cidade, no extremo oeste, a situação é complicada, e provoca muitas reclamações dos moradores do Parque Val de Palmas. Ao entrar no local, já se percebe o primeiro problema: asfalto. E não é por causa de buracos, mas pela inexistência de pavimentação nas ruas do bairro.

A dona de casa Adriana Cruz da Paixão vai além do asfalto e afirma que falta tudo no local, desde segurança até área de lazer, passando pelas reclamações usuais, de posto de saúde e creche. No quesito saúde, quem vive no Val de Palmas tem que ir nos bairros vizinhos, Santa Cândida ou Vila Dutra. “É uma dificuldade”, aponta Adriana.

O comerciante Agapito Ciriaco da Silva se queixa da falta de água, que, segundo ele, é um dos problemas mais sérios no bairro. “Tem dias que acaba de manhã e só volta à noite”, diz. Mas, para ele, a prioridade mesmo é o asfalto. Vindo de São Paulo, ele conta que não se acostumou ainda a andar nas ruas de terra do bairro, isso sem falar na poeira que entra nas casas.

O funcionário público Antonio Carlos Martini faz coro às declarações do comerciante e reclama muito da falta de perspectiva em ver o Val de Palmas asfaltado. Segundo ele, as guias e sarjetas estão há pelo menos dez anos no local, sem que o asfalto chegasse. “Asfaltaram seis quadras do Santa Cândida e pararam”, diz.

O servidor público destaca que o problema é a falta de galerias, que não foram feitas quando o local foi loteado, ou seja, enquanto não houver galerias, não é possível asfaltar. E como o bairro fica em uma baixada, pavimentar as ruas de cima só levaria mais transtornos a quem mora na parte baixa. “A água ia descer e invadir as casas”, afirma.

A dona de casa Vanilde Máximo lembra que a realidade atual não é muito diferente, pois se chove o que desce e invade as casas mais baixas é a lama. “Estamos praticamente abandonados”, se queixa.

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