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Deficientes ‘descobrem’ a leitura

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

Ler é aprender e aprender é a chave para abrir as portas da mente ao mundo de informações ou fantasias que aguçam a percepção e incentivam o desenvolvimento pessoal. Buscando trilhar novos caminhos, cerca de 500 pessoas portadoras de deficiência que mensalmente realizam atividades na Sorri-Bauru agregam um novo hábito diário: uma hora de leitura ao dia.

A iniciativa faz parte do projeto “Simplesmente Ler”, lançado nesta semana pela entidade. Com uma estante móvel munida de livros, revistas e jornais, os próprios pacientes irão percorrer os corredores da instituição para interromper rapidamente a atividade dos colegas e oferecer material para leitura, seja em braile, libras (língua brasileira de sinais) ou mesmo áudio, para atender a todos, sem exceção.

Há cinco anos freqüentando a instituição, Marina de Andrade Fernandes, 26 anos, será uma das disseminadoras do conhecimento. Fascinada pelo mundo das letras, ela afirma entrar nas histórias, quando tem um bom livro nas mãos. “Ler traz entretenimento e aprendizagem. Por isso estou participando”, diz. “Para quem não entende, a gente faz questão de ler e explicar”, completa.

Aos 42 anos de idade, Aparecido Dias Alves confessa ter despertado somente agora o prazer pela leitura. “Antes eu lia alguma coisa, mas só de vez em quando. Agora leio todos os dias e presto mais atenção nas coisas”, afirma ele, que prefere ficar informado sobre todos os acontecimentos da cidade através dos jornais.

Segundo a pedagoga da Sorri, Cássia Magna Oliveira, a idéia de incentivo à leitura surgiu após a constatação de que os pacientes tinham dificuldade nessa área. “Essa (leitura itinerante) é uma tendência mundial, mas que é pouco difundida no Brasil. Com isso, eles (pacientes) descobrem novas habilidades e incentivam amigos e familiares a também se interessar”, afirma.

Para ela, adquirir esse hábito é um importante passo rumo à inclusão social. “É certo que a partir dessas leituras, eles passam a ver outras faces do mundo. E esse incremento de informações pode facilitar até na inserção ao mercado de trabalhado”, ressalta.

O projeto tem como parceiros a Editora Alto Astral e a empresa Digitools, do ramo de informática. Um é patrocinador dos livros e outro disponibilizando computadores para a extensão de atividades. “Levar a leitura a todos é fundamental, pois além de ser uma diversão sadia, abre horizontes e auxilia no crescimento pessoal”, relembra João Carlos de Almeida, o João Bidu, fundador da editora.

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