Regional

Redução de pastagens eleva preço da arroba do boi gordo

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O pecuarista que tem boi gordo para vender está festejando o inverno 2007. A arroba do boi gordo saltou de US$ 22, US$ 23 para US$ 30. Uma das causas na alta do preço é a redução de pastagens e do rebanho, causadas pela expansão do setor canavieiro em todo o Estado de São Paulo.

Ainda não há estudos que comprovam o quanto as pastagens diminuíram, mas a redução do rebanho já está quantificada. Segundo o Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo (IEA), o rebanho estadual era de 12,6 milhões cabeças no ano de 2006. Neste ano é de 12 milhões.

Para o vice-presidente da Federação Agrícola do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, a redução das áreas de pastagens é visível e a conseqüência imediata é a redução do rebanho, que deve girar em torno de 25%.

“Este é um inverno atípico. Todo ano, nesta época, há mais oferta que procura. A seca afeta o pasto e o pecuarista corre para vender o boi gordo que pode perder peso, mas em 2007 estamos constatando a falta de boi gordo, que acabou influenciando no preço”, explica Lima Verde.

Para o vice-presidente da Faesp, não só a explosão dos canaviais é responsável pela redução das áreas de pastagens. “As plantações de eucaliptos e laranja também estão tomando os pastos”, aponta.

Quanto à expansão da cana-de-açúcar, o vice-presidente da Faesp diz que não há com que se preocupar. “Os canaviais são limitados. Eles têm que estar a mais ou menos 70 quilômetros da usinas. Onde não tem usina por perto não tem cana-de-açúcar”, diz.

Para o agrônomo do Escritório de Desenvolvimento Rural de Jaú, João Foloni, a lavoura de cana avançou nas pastagens. “Não temos levantamento da área tomada pela cana, antes pastagens, mas com certeza houve redução. Redução de pasto é sinônimo de redução do rebanho”, aponta.

Nos Estados do Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a explosão no cultivo da cana está tomando grandes áreas antes ocupadas por milho, soja e trigo.

Levantamentos feitos pelo órgão e divulgados em maio passado dão conta que em Minas Gerais a área de cultivo de cana aumentou em 16,8; em Mato Grosso do Sul, 18% e no Paraná, 25%.

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