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Astronauta Marcos Pontes nega acusações por ‘ato de comércio’

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

O astronauta Marcos Pontes disse ontem que o fato de ter alcançado projeção internacional, após sua viagem ao espaço, pode ter influenciado na abertura do inquérito policial que investiga suposto crime de “ato de comércio”. “Acho que a notoriedade alcançada (pela viagem) pode, sim, ter influenciado (na decisão da Procuradoria da Justiça Militar em abrir inquérito)”.

Há acusações de que Pontes teria usado sua imagem para abrir uma escola em Bauru e vender artigos pela Internet enquanto ainda fazia parte do quadro de militares da ativa da Aeronáutica. O Código Militar proíbe esse tipo de prática comercial. Pontes pediu afastamento da ativa em abril do ano passado.

Ontem, durante entrevista coletiva concedida nas dependências da escola Espaço Educação Integrada (EEI), no bairro Cidade Universitária, o astronauta negou que tenha participação em qualquer dos dois negócios e afirmou que o Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento (Deped), órgão ligado à Aeronáutica, autorizou o uso de sua imagem tanto pela escola quanto pelo site e que ele não recebe nada por isso.

A escola, segundo ele, é propriedade de sua esposa e atualmente é administrada pelo seu irmão Luiz Carlos Pontes. A EEI começou a funcionar em 2004 e tem cerca de 200 alunos. A instituição oferece ensino médio e cursinho preparatório para o vestibular.

Já o site www.conexao espacial.com.br pertence à empresa Portally Eventos e Produções e tem como responsável Christiane Gonçalves Corrêa, assessora de imprensa de Pontes. “A minha única participação no site é a cessão da imagem”, diz o astronauta. Segundo ele, o site não tem como objetivo alcançar lucro, mas divulgar o projeto espacial.

Quanto ao fato de sua mulher ser proprietária da escola, Pontes diz que isso não significa que ele tenha alguma influência no negócio. “Não consigo administrar nem minha vida direito, como vou administrar uma escola?”, indaga ele. Pontes, depois que entrou para a reserva, foi morar em Houston, nos Estados Unidos, onde possui uma empresa de consultoria em engenharia de sistemas. Além disso, ele trabalha como assessor da agência espacial brasileira em solo americano.

Inquérito

O inquérito policial para investigar o suposto crime de “ato de comércio” cometido por Marcos Pontes foi requerido pela procuradora-geral da Justiça Militar, Maria Ester Henrique Tavares. Ela pede, inclusive, a quebra de sigilo fiscal e bancário do astronauta.

As primeiras suspeitas de crime surgiram logo após Pontes ter solicitado seu afastamento da ativa. De acordo com as acusações, o astronauta cobrava para dar palestras e lucrava com a venda de artigos pela Internet.

Na ocasião, o Ministério Público Militar (MPM) de São Paulo iniciou investigação interna para apurar a denúncia. Em julho, o promotor Luís Antônio Grigoletto recomendou o arquivamento do processo por “inexistência de indícios de prática de infração penal comum ou militar”. O processo seguiu para a Câmara de Coordenação e Revisão (CCR) do MPM, em Brasília.

Em segunda análise, a procuradora-geral Maria Ester solicitou a abertura de inquérito contra Pontes por entender que era preciso investigar melhor a denúncia.

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