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São José do Rio Preto vê ‘impermanência’ dentro e fora de cena

Por Valmir Santos | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O conceito de impermanência, que está na natureza cíclica do universo, do pensamento filosófico, da prática espiritual e da criação em artes cênicas, para citar algumas veredas, ocupa o centro da arena no Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto. O evento começa hoje e dura 13 dias.

Sua sétima edição internacional (nasceu em 1969 em âmbito amador e depois universitário) prioriza os grupos de pesquisa, ou os laboratórios, como são conhecidos na Europa os núcleos voltados à experimentação cênica e dramatúrgica. Maioria acostumada à impermanência do ponto de vista das condições de trabalho, 18 coletivos brasileiros de palco, rua e espaços não-convencionais cruzam com oito companhias estrangeiras estáveis graças às políticas públicas de seus países.

Segundo o co-diretor-geral do FIT Rio Preto, Jorge Vermelho, independentemente das origens, todas as atrações perseveram na investigação e nos riscos criativos. Metade dos participantes internacionais vem da França, tradicional na subvenção à cultura. Entre as companhias, estão a Transe Express, que passou pelo paulistano vale do Anhangabaú com “Mobile Homme” e protagoniza a abertura da noite, ao ar livre, na represa, e a cia. 111 & Phil Soltanoff, com “Plan B”, segunda parte de trilogia sobre a busca de uma escrita poética para a cena: malabarismo, acrobacia, música etc.

Um projeto da Holanda, “Braakland”, com a cia. Dakar, e outro da argentina, “Audiotur Ficcional”, com a BiNeural-Monokultur, chamam a atenção pelas propostas. No primeiro, inspirado em conto do sul-africano J.M. Coetzee, o público é transportado de ônibus até local desconhecido, possivelmente um terreno no qual seja possível enxergar os artistas ao ermo, num horizonte próximo. Já o projeto argentino faz uma intervenção urbana na qual o espectador deve redescobrir lugares da cidade por meio de narrativa em áudio, gravação que o guiará a outras realidades.

Espectros da tragédia também rondam o festival. Há duas variantes do mito de Medéia. A espanhola cia. Atalaya traz “Medea - La Extranjera” (2004), em que a protagonista de Eurípides, Sêneca e Heiner Müller é quadruplicada em atrizes conforme os elementos da natureza: terra, fogo, água e vento. O subtítulo refletiria a condição do sujeito contemporâneo que parte em busca do “bezerro de ouro” em terras estrangeiras e sofre barbaridades na civilização.

Soma-se a essa relei-tura a “Medeamaterial” (2001), de Müller, pelo pedagogo e encenador russo Anatoli Vassiliev. Ele encerrará o festival, no dia 21 de julho, com a exibição em vídeo do solo da francesa Valérie Dreville, seguida de conferência.

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Saiba mais

O ano 2000 marcou o início de uma nova era para o teatro rio-pretense. Em sua 20.ª edição, o Festival Nacional de Teatro Amador cedeu o palco para o FIT (Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto). A proposta da internacionalização e a criação do FIT vieram juntas com a idéia de eliminar o caráter competitivo do evento para valorizar o experimentalismo teatral e o debate entre os grupos.

Neste ano, o FIT, que será realizado de hoje a 21 de julho, completa sete anos e traz como conceito a “Impermanência”. Uma mudança está no número de apresentações de cada espetáculo. A maioria das peças será encenada quatro vezes e não mais três, o que proporcionará ao público mais oportunidades para prestigiar cada espetáculo.

Serão ao todo 35 espetáculos, nove performances e 11 atrações musicais, que juntas totalizarão aproximadamente 150 apresentações em vários pontos da cidade, que irão mostrar ao público rio-pretense uma amostra dos melhores e mais atuais espetáculos teatrais do Brasil e do mundo.

O FIT contará com a participação de seis países – Argentina, Espanha, França, Holanda, Rússia e Venezuela – representados em oito espetáculos e uma Conferência Internacional, para apresentar as diversas e inovadoras técnicas teatrais juntamente com outras 26 peças nacionais e nove performances produzidas nos quatro cantos do Brasil, além de 11 apresentações musicais. Para essa edição, a curadoria recebeu 485 inscrições vindas de 16 Estados brasileiros, divididas nas categorias adulto, criança e rua.

O FIT Rio Preto é uma realização da prefeitura e do Sesc SP. Mais informações no site www.festivalriopreto.com.br.

Da Redação

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