Tribuna do Leitor

No país dos apagões


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Primeiro foi o apagão elétrico, que por obra e graça da total falta de investimentos no setor, quase nos levou à escuridão, obrigando-nos, assim, a racionalizarmos o consumo, até então relaxadamente encarado, com desperdícios absolutamente inaceitáveis, para não voltarmos ao tempo das cavernas. Depois, a negra noite do apagão moral desceu sobre o Planalto, onde um valérioduto irrigava com dinheiro os bolsos de politiquinhos safados, biltres, canalhas e pusilânimes, mesmo palco, aliás, onde dançarina decadente e de quinta categoria bailou com a injusta absolvição de colega. Alguns desses espécimes raros da pilantragem nacional, infelizmente, pelo voto inconseqüente, absurdo e deplorável de eleitores no mínimo fora de foco, conseguiram retornar ao antigo ninho.

Os reflexos desse apagão se fazem sentir até a atualidade, quando muito se fala sobre bois, bezerros e empreiteiras. Por derradeiro, o apagão aéreo, que teve a sua origem na irresponsabilidade de dois americanos à bordo do jatinho Legacy, voando com o transponder desligado e na mesma rota e altitude do boeing da Gol, que fazia o vôo 1907, e que caiu após a colisão, matando todos os seus 154 ocupantes, em 29 de setembro de 2006.

A partir daí, o que se assiste, então, é o caos anunciado, com a ministra do Turismo tendo a audácia e a ousadia de sugerir às pessoas apanhadas pela paralisação nos aeroportos que relaxem e gozem, com passageiros passando frio, fome, sede e sono nos terminais de embarque, onde vôos atrasam por horas a fio ou simplesmente são cancelados em função da guerra surda estabelecida entre os controladores de vôo e seus superiores. Isto posto, e para concluir, tomo emprestado o famoso bordão de Boris Casoy, repetido ad nauseaum nos bons tempos em que era ele o âncora do Jornal da Record: Isto é uma vergonha!

Marcos Vieira da Silva - jornalista - Iacanga

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