São Paulo - Sindicatos de policiais civis e militares aproveitaram o desfile comemorativo aos 75 anos da Revolução Constitucionalista de 1932 para criticar a política salarial do governo José Serra (PSDB) para a categoria.
O evento ocorreu ontem na área do Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, nas imediações do parque Ibirapuera (zona sul de SP). O grupo de manifestantes vaiou o governador assim que ele desceu do carro oficial, às 10h05. Depois, passou a gritar "Serra não respeita a polícia", frase abafada pelo som da banda marcial que saudava o tucano.
O Sindicato dos Investigadores da Polícia Civil do Estado calculou que cerca de 60 pessoas, entre parentes e policiais ativos ou aposentados, participaram do protesto. Em uma das faixas, o grupo reiterou a ameaça de greve dos policiais civis para a próxima quinta-feira.
Os militares, que não podem parar, devem ser representados pelas mulheres. O protesto acontece quatro dias após o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, anunciar um pacote de medidas para melhorar a remuneração dos policiais. O reajuste oferecido, porém, não atendeu ao que é pedido pelos servidores. As divergências começam pela correção aplicada aos vencimentos. A reivindicação dos policiais é de reajuste de 48% - referente à inflação de 2002 a 2007 -, o governo ofereceu de 3,84% a 23,43%.
Cerca de 4.500 pessoas participaram da comemoração de ontem, segundo a PM. No ano passado o público havia sido de 3 mil pessoas. A revolução iniciada em 9 de julho de 1932 mobilizou os paulistas para reivindicar ao então presidente Getúlio Vargas uma Constituição. O Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932, em reverência aos mortos durante o combate, está fechado e será reaberto ao público no final de 2008, após uma reforma.
Paralisação
Os agentes da Polícia Civil do Rio iniciaram ao meio-dia de ontem uma paralisação de 48 horas pelo retorno de uma gratificação extinta em 2001, que elevava os salários em até 70%. O sindicato dos funcionários da Polícia Civil do Rio (Sinpol) informou que 30% do efetivo vai trabalhar, como determina a lei.