Brasíllia - A nova gestão da União Nacional dos Estudantes (UNE) promete trabalhar nos próximos dois anos para retomar a trajetória de luta que caracterizou a entidade no passado. Para isso, quer intensificar as passeatas e manifestações, o que inclui a invasão de universidades públicas como forma de reivindicar melhorias no ensino.
“A UNE nos próximos dois anos vai ser a UNE da ocupação das universidades públicas”, afirmou Lúcia Stumpf, a presidente da UNE eleita anteontem, para 8 mil estudantes em Brasília. A apuração foi concluída no final da noite e Lúcia venceu com uma larga vantagem.
Em junho, estudantes conseguiram ocupar as instalações de algumas universidades públicas. Na Universidade de São Paulo (USP), a invasão da reitoria durou 50 dias. De acordo com Lúcia, a agenda da Jornada Nacional de Lutas, marcada para agosto, ainda não está definida, mas ela afirmou que novas ocupações são uma alternativa da entidade. “Não descartamos as ocupações. A ocupação é um formato legítimo de reivindicação. É um formato legítimo de manifestação dos estudantes. Vamos amadurecer essa idéia ao longo dos próximos meses durante a organização da jornada.”
A jornada de lutas foi aprovada no 50.º Congresso da UNE, encerrado anteontem. Ela será feita em conjunto com movimentos sociais e servirá para comemorar os 70 anos da instituição. As manifestações de agosto serão focadas em quatro pontos. O primeiro deles é acabar com o que a UNE chama de “liberdades dos reitores” das universidades particulares.
Os estudantes irão propor que os reajustes sejam feitos em consenso com a comunidade acadêmica. Querem também uma maior participação do movimento estudantil nas instituições privadas. Do setor público, querem a ampliação do número de vagas e a abertura de novas faculdades federais.