A cada mês que passa, a população fica mais endividada. Pesquisas feitas pela Serasa, maior empresa brasileira especializada em levantamentos de dados financeiros, demonstram que desde o início do ano está havendo aumento nos índices de inadimplência. O que tem levado as pessoas a gastar mais do que ganham? Por que as dívidas têm sido um dos principais motivos de preocupação entre os brasileiros? Economistas afirmam que é a falta de educação financeira e alertam que esta deve ser aplicada desde a infância.
“O endividamento de maior parte da população tem a ver com a questão da educação e disciplina pessoal”, observa o economista Mauro Gallo, 56 anos, professor da Instituição Toledo de Ensino (ITE) de Bauru. Segundo ele, o trabalhador deve aprender a consumir apenas o que seu orçamento permite. Este aprendizado deve ser um processo contínuo, que começa na infância. Para não entrar em dívidas, Gallo ensina uma regra que considera muito simples: “Nunca gaste mais do que você ganha”.
Este princípio deve ser passado para as crianças assim que elas começam a ter noção de números e do que é o dinheiro. O economista crê que este compromisso deve ser assumido pelos pais e pela escola. “Talvez, a falta de orientação financeira na infância é o que gera adultos devedores”, diz. E complementa dizendo que “não basta apenas saber usar, é necessário, também, saber gastar”.
Futuro
O curioso é que este “saber gastar” deve ser aplicado tanto na vida pessoal quanto na administração de negócios. O economista aponta que o problema de muitas empresas que baixam as portas não está, propriamente, nas finanças, e sim no fato do proprietário não ter aprendido a lidar com dinheiro. “A educação financeira chega a refletir no futuro das empresas do País”, afirma.
O Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Física revela que, em maio, o indicador de dívidas chegou a 6,8%, quando comparado a abril. Em janeiro este índice era de 1,8%, quando comparado ao mês anterior. O economista acredita que este aumento no grau de endividamento está diretamente ligado à falta de preparo dos adultos de hoje, que não receberam orientação financeira quando crianças.
O papel dos pais na educação financeira é importantíssimo e, mais do que orientar, eles devem dar exemplos, conforme destaca o economista. “Não adianta nada os pais quererem ensinar se suas atitudes não forem de acordo com o que pregam”, diz Gallo.