Internacional

Suprema Corte da Líbia mantém pena de morte para enfermeiras búlgaras acusadas de infectar crianças com aids

Folhapress
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Trípoli - Apesar de apelos mundiais, a Suprema Corte da Líbia decidiu manter ontem a pena de morte para cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestino. Os seis são acusados de infectar propositadamente mais de 400 crianças com o vírus HIV.

O veredicto ainda poderá ser revertido pelo Conselho Judicial do país, liderado pelo ministro da Justiça, que se reunirá na próxima segunda-feira. Os seis condenados começaram a trabalhar em um hospital na cidade de Benghazi em 1998 e foram presos no ano seguinte depois que mais de 400 crianças foram contaminadas como HIV. Ao menos 50 crianças morreram até hoje.

Os promotores insistem que os condenados infectaram as crianças de propósito durante experimentos para encontrar uma cura para a aids.

Especialistas da defesa, porém, testemunharam que elas foram infectadas devido às péssimas condições de higiene do hospital. Em seus testemunhos, os trabalhadores afirmam que foram obrigados a confessar os crimes sob tortura. Algumas enfermeiras disseram que foram estupradas para forçar confissões.

Pressão

Presos desde 1999, as cinco enfermeiras e o médico foram condenados à morte em 2004, mas a Corte Suprema da Líbia ordenou a organização de um novo julgamento devido à pressão internacional.

Para surpresa e choque de muitos europeus, o segundo julgamento terminou com um veredicto igual ao anterior em dezembro, apesar de relatórios científicos terem afirmarem que o índice de contaminação por HIV era muito alto no hospital mesmo antes dos seis começarem a trabalhar lá. Os condenados não estavam presentes na corte durante a decisão de ontem.

Cerca de 20 familiares das crianças infectadas comemoraram a manutenção da pena no tribunal. “Esta é uma vitória para o sistema judiciário da Líbia. Estamos esperando a execução da pena de morte”, disse o advogado das famílias, Al Monseif Khalifa. A Líbia enfrenta intensa pressão internacional para libertar os seis, que negam ter infectado as crianças.

O caso se tornou crucial nas tentativas da Líbia de retomar laços com os Estados Unidos e a Europa, e o presidente americano, George W. Bush, fez um apelo no último mês pela libertação dos seis. Acordo ignorado No anúncio do veredicto, o juiz não fez menção a um acordo anunciado anteontem por uma fundação liderado pelo filho do líder da Líbia.

A Fundação Internacional Gadhafi para a caridade afirmou anteontem que as famílias das crianças infectadas firmaram um acordo com os condenados para evitar a pena de morte. Vários líderes europeus expressaram decepção pela decisão ontem. “Sentimos muito pela decisão tomada, mas também quero expressar minha confiança de que uma solução será encontrada”, disse o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso.

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