Internacional

Al-Qaeda pede vingança no Paquistão

Por Da Redação | Com Folhapress e Reuters
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Islamabad - Ayman al-Zawahri, número dois no comando do grupo Al-Qaeda, pediu vingança em um vídeo na Internet divulgado ontem pelo ataque do governo paquistanês a uma mesquita, no qual morreram mais de 70 islâmicos. “Esse crime apenas pode ser lavado por arrependimento ou sangue”, disse Zawahri no vídeo transmitido em sites usados pelo grupo. “Se vocês não retaliarem... (o presidente paquistanês Pervez) Musharraf não vai poupar nenhum de vocês”, afirmou ele, voltando-se a muçulmanos paquistaneses e seus líderes religiosos.

O Exército do Paquistão assumiu ontem o controle integral do que agora são as ruínas da Mesquita Vermelha, mas são ainda imprecisas as informações sobre o número de vítimas da operação que anteontem neutralizou a sede do radicalismo islâmico em Islamabad.

O general Waheed Arshad, porta-voz do Exército, disse que eram 73 os corpos recolhidos. Segundo ele, nenhum era de mulher ou criança. Segundo outros informantes, desde a madrugada de anteontem, quando os militares tomaram de assalto o local, morreram 125 estudantes de uma escola islâmica adjacente e mais 70 integristas armados. Com os nove militares mortos e mais os 24 civis ao longo de uma semana de atritos, essa estimativa daria no mínimo 228.

A versão oficial é a de que 86 homens, mulheres e crianças, mantidos como reféns pelos rebeldes, conseguiram escapar em bloco na manhã de terça.

A mesquita havia se transformado no centro de operações de um ala integrista do islamismo paquistanês, interessado em instituir no país um regime religioso estrito.

Desde janeiro comandos formados pelos clérigos atacavam em Islamabad livrarias com publicações ocidentais ou seqüestravam supostas prostitutas.

O projeto do grupo era o de instalar um regime pró-Al-Qaeda idêntico ao que vigorou até 2001 no Afeganistão. As primeiras manifestações de protesto contra a operação militar foram registradas em Peshawar, próxima à fronteira afegã e base dos insurgentes do Taleban contra contingentes ocidentais no Afeganistão. “Morte ao ditador”, gritavam cerca de 500 manifestantes.

Em Islamabad, os jornalistas e as entidades de direitos humanos continuam proibidos de entrar nos escombros da mesquita. O Exército diz que ainda existiriam armadilhas ou explosivos armazenados. Também foi dificultado o acesso aos necrotérios de hospitais.

O ditador Pervez Musharraf participou ontem do sepultamento dos militares mortos. Todos pertencem ao Grupo de Serviços Especiais do Exército, unidade que ele chegou a comandar antes do golpe de Estado que o levou ao poder em 1999.

O corpo do líder dos insurgentes, Abdul Rashid Ghazi, foi transportado por helicóptero até o vilarejo em que nasceu, Dasti Abdullah, 650 quilômetros ao sul de Islamabad. Ghazi queria ser enterrado na Capital, ao lado de seu pai, fundador da Mesquita Vermelha. Mas o governo temia que seu túmulo virasse local de peregrinação.

Controle

Após mais de 35 horas de confronto, o Exército do Paquistão anunciou a morte dos últimos radicais resistentes da Mesquita Vermelha e tomou o controle do complexo. “A primeira fase da operação acabou. Não há mais radicais na mesquita”, afirmou ontem o porta-voz do Exército, general Waheed Arshad. Ele afirmou que os militares ainda estão no complexo de 75 salas, porões e jardins para buscar minas e outras possíveis armadilhas.

Contrariando as expectativas mais dramáticas, o premiê paquistanês, Shaukat Aziz, disse a repórteres que não foram encontrados corpos de mulheres e crianças no interior da Mesquita Vermelha. “A maior parte das mulheres estava junta e saiu da mesquita junta há dias”, afirmou. Os últimos choques com as forças de segurança, que começaram no último dia 3, são resultado de meses de tensão com os radicais da mesquita, que realizavam uma “campanha pela moralização” para pressionar pela aplicação da lei islâmica no país.

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