Atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 200 mil crianças brasileiras estão em orfanatos, assim como aconteceu com as irmãs Dami e Tiana, criadas na Sociedade Beneficente Cristã (antigo Paiva), em Bauru. Quarenta anos se passaram e elas nunca desistiram de procurar pela família, da qual elas não têm notícias sobre a cidade de origem.
Na busca, enviaram cartas para programas de televisão e jornais, inclusive para o JC. Na correspondência, elas escreveram: “Nunca tivemos datas festivas, nem Dias das Mães, Pais, Natal e Ano Novo. Aliás, não sabemos o que é festejar o nascimento do Menino Jesus, essa data que para nós é muito triste”.
As duas foram deixadas pela mãe na Casa da Criança, da Sociedade Beneficente Cristã, em 1959. “Ela ficou uns tempos lá, depois foi embora e não voltou mais”, lembra-se Dami. “Eu tenho loucura para conhecer minha mãe, sempre tive loucura desde pequena. Me mandavam para a casa de alguma família para trabalhar e eu voltava para o orfanato na esperança que ela viesse me buscar”, conta Sebastiana Damião, mais conhecida como Tiana. “Eu também ficava esperando ela vir me buscar”, completa a irmã Dami, Maria Aparecida Damião. Ela foi abandonada com 4 anos, e Tiana, com apenas 1 ano de vida”. Eu nunca a vi, só em sonho”, diz a caçula. “Nos meus sonhos, ela sempre está me abraçando, me beijando, conversando comigo”, conta.
Aos 18 anos, as irmãs saíram do orfanato e foram trabalhar em casas de família como domésticas. Hoje, moram juntas no Núcleo Nova Bauru com o único filho de Tiana. O garoto de 20 anos tornou-se motivo maior das irmãs tentaram reencontrar os pais. “Se nós duas faltarmos, ele vai ficar sem uma família”, preocupa-se Tiana, inconformada com o seu passado. “Queria saber porque me abandonaram”, completa com tristeza. “O motivo eu deixo de lado”, desabafa a irmã. “Mas eles fizeram muita falta e ainda fica um grande vazio”, completa.
A esperança das irmãs é grande para conhecer a mãe, Maria Claudina Damião e o pai, José Eliceu Damião. Tanto que Dami inclui o pedido em suas orações. “Rezo todos os dias para encontrá-los. Assim vou conseguir ver um sorriso no rosto da minha irmã”. Preocupada com Dami, Tiana, que nunca se casou ou teve filhos, considera-se sua protetora. “Eu sou a mãe dela e do filho dela”, brinca. No seu colar, usa como pingente um cristal, um dente do sobrinho e outro do filho da sua chefe. O local onde trabalha é uma casa no bairro nobre de Bauru, onde sente-se como se fosse da família, mas ainda quer reencontrar a sua. “Eu já superei o trauma, graças a Deus. Mas eles ainda fazem muita falta”.
Quem tiver notícias sobre a família de Tiana e Dami, principalmente seus pais, pode contatá-las pelo telefone (14) 32376671.