Entrevistado pela televisão, o pai da empregada doméstica que foi espancada por um grupo de jovens da classe média, no Rio de Janeiro, disse, de forma simples mas muito bem concatenada, que “está acontecendo uma coisa esquisita com as famílias. Elas não se preocupam com o que os filhos vêm fazendo. Os filhos fazem coisas erradas e os pais só tomam conhecimento quando acontece uma tragédia como essa.” Esse é um fato que, infelizmente, vem aumentando de freqüência e se alastrando das boates e lugares públicos para as escolas, com brigas entre os alunos e agressão aos professores. Pesquisa do Ministério da Justiça revela que a cada hora sete jovens são presos no país. O que antigamente, na escola, não passava de pequenos atos de rebeldia, facilmente contidos pela autoridade do professor, que contava com o apoio dos pais, hoje se transformaram em agressões verbais e físicas, como o estúpido procedimento dos alunos que colaram a professora na cadeira, numa escola de Macatuba. Se antigamente o professor podia ser severo com os alunos e os pais o apoiavam, hoje tornou-se comum o aluno desrespeitar o professor e basta fazer uma acusação infundada para os pais correrem à escola para desacatar o professor e fazer ameaças.
A educação começa em casa, com a família, independente de ser rica ou pobre. São comuns os casos de filhos de analfabetos que ao se tornarem pessoas bem sucedidas e respeitadas, agradecem aos pais pela educação que receberam. São comuns, também, os casos de filhos de ricos que se tornaram criminosos e os pais gastam fortunas para livrá-los da prisão. A família é o primeiro e mais forte grupo social. A força de coesão do grupo é originada da consangüinidade e se expressa por adjetivos poderosos como maternal, paternal, fraternal, todos eles com conotação de sentimentos nobres, de amor, de carinho, de solidariedade e de honradez. Que força supera o amor de mãe? Que limites tem a dedicação do pai para o bem do filho? Quem se acovarda na defesa do irmão? E quem não quer pertencer a uma família? São comoventes as histórias de pais procurando por filhos e filhos por pais que a vida, por alguma razão, os separou. E os encontros são sempre emocionantes, com abraços efusivos e muitas lágrimas.
A escola dá continuidade à educação pela melhoria da compreensão, através da aprendizagem, e pelo convívio social, através do relacionamento com colegas e com pessoas mais velhas e investidas de autoridade. A formação do caráter, iniciada no lar, deve ser expandida na escola, que por essa razão deve ser exemplo. Exemplo de respeito aos outros e às coisas dos outros; exemplo de acatamento às autoridades; exemplo de higiene e limpeza, enfim, exemplo de civilidade. Todos na escola, do diretor aos serventes, devem contribuir para isso, sendo o papel principal reservado ao diretor, seguido dos professores.
O caminho para a diminuição da violência está no entrosamento da família com a escola. A iniciativa sempre cabe ao mais esclarecido, que neste caso, em maioria, é a escola e nesta, a maior responsabilidade é do diretor. Trazer as famílias para a escola, conseguir o trabalho voluntário de pais e de outras pessoas, desenvolver atividades de caráter comunitário são coisas difíceis, mas são possíveis e são o meio mais eficaz para enfrentar a violência. As críticas e cobranças são dirigidas ao governo – baixos salários, falta de funcionários, falta de verba etc. São fatos reais, mas os exames que o MEC e a ONU vêm fazendo estão revelando casos de escolas públicas de regiões paupérrimas que aparecem na frente das escolas das regiões ricas, exatamente por esse trabalho.
É preciso valorizar a família e a escola. Muitas instituições reservam uma data ou um mês para promovê-las. O Rotary reservou o mês de dezembro à família e a Assembléia Geral da ONU proclamou, pela Resolução n.º 47/237 de 20 de Setembro de 1993, o dia 15 de Maio como Dia Internacional da Família, com o objetivo de chamar a atenção de todo o mundo, governos, responsáveis por políticas locais e famílias, para a importância da FAMÍLIA como núcleo vital da sociedade e para os seus direitos e responsabilidades.
O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru