São Paulo - Foram 11 horas de viagem do Canadá até o Brasil, sem dormir e sentindo dores no tornozelo esquerdo, com desembarque no País ao meio-dia. Almoço rápido e, às 15h, lá estava ele no campo do Parque Ecológico do Tietê para treinar. Tamanho sacrifício foi para o meia Willian enfrentar o São Paulo.
Por que? Desde a saída do jogador da equipe, o Corinthians não venceu mais no Campeonato Brasileiro. E pouco chegou ao ataque dos adversários. O jovem de 18 anos - estava defendendo a Seleção sub-20 no Mundial - chega com rótulo de salvador da pátria e confiante em acabar com o tabu de quatro anos e três meses sem ganhar do rival e de quatro jogos sem triunfo no Brasileiro.
“Não acho uma pressão grande em mim, não. Sei das minhas qualidades e da confiança dos companheiros em meu trabalho”, afirma, demonstrando tranqüilidade. “Vou fazer o que mais sei: partir para cima do adversário”, complementa o camisa 10, um dos atletas mais dribladores do Brasileiro.
Ontem, o torcedor corintiano presente ao treino - cerca de 50 pessoas - parecia aliviado ao ver, de longe, aquele menino de chuteiras amarelas. “É o Willian. Agora sim, vamos vencer”, diz um garoto, entusiasmado pela volta do craque e que faz questão de pedir um autógrafo após os trabalhos.
“É bom esse carinho, deixa a gente mais motivado ainda para vencer. Voltaremos a jogar aquele futebol do início do campeonato”, afirma, feliz da vida por estar num lugar onde é querido e peça importante. Na sub-20, Willian só participou da derrota por 4 a 2 diante da Espanha, nas oitavas-de-final. “Já esqueci a Seleção. O que mais quero agora é ajudar o Corinthians. Fiquei surpreso pelos últimos resultados, mas garanto: vamos retomar o rumo das vitórias.”
Willian não concentrou anteontem à noite com os companheiros. Ganhou folga para visitar os familiares e descansar da viagem. “Aproveitarei, também, para tratar dessas dores. Elas estão incomodando um pouco. Porém, num clássico, jogo de qualquer jeito”, garantiu. Para felicidade dos corintianos.
“Com ele, teremos uma formação parecida com a do início. Fico contente”, disse o técnico Carpegiani, que não vence desde a saída do meia, há quatro rodadas. Neste período, o treinador se queixava de não ter um meia criativo no time. Mesmo assim, ontem evitou ligar a ausência de Willian ao jejum de triunfos. “Penso que foi mera coincidência”, disse.