Alguns podem até se esforçar para tentar deixar a questão oculta entre as paredes do Legislativo, mas já há quem defenda abertamente. O fato é que as férias de julho dos vereadores podem estar muito próximas de acabar. Isso porque os parlamentares já discutem a extinção do recesso no meio do ano e não descartam apresentar, ainda este ano, uma proposta para encerrar o descanso julino, deixando o recesso exclusivamente para os meses de dezembro e janeiro.
O presidente da Câmara, Paulo Madureira (PP), é um dos favoráveis ao fim do recesso de julho e revela que a idéia já conta com a simpatia de diversos vereadores. “Ainda estamos conversando, mas já há vários parlamentares com a mesma opinião. Acho até que já há maioria sobre a questão. Estamos amadurecendo a idéia, mas acredito muito que o projeto pode até ser apresentado para ser votado este ano”, conta Madureira.
Já a vereadora Majô Jandreice (PC do B) considera o tema um assunto pendente cuja discussão pode ser retomada a qualquer momento. “Quando há algo pendente, qualquer momento pode ser a ocasião de retomá-lo. E essa é uma questão que, mais cedo ou mais tarde, terá de ser debatida e resolvida”, frisa.
Jandreice afirma que o fim do recesso não é assunto “esquecido” entre os vereadores. “De vez em quando, ele é comentado. Não de forma coletiva entre os 15 parlamentares, mas pontualmente com alguns dando opiniões. Pode até ser que isso seja tratado este ano, mas não dá para a gente afirmar porque terá de ser algo debatido por todos, pois não dá só para a Mesa Diretora tomar essa atitude. É preciso consenso”, sustenta.
A parlamentar destaca, ainda, que a Câmara não terá problemas em retomar as discussões sobre o tema. “Até porque a Câmara têm parado muito pouco em julho. Só não tem ocorrido as sessões, pois na maioria dos dias há atividades e os vereadores continuam freqüentando o Legislativo. Por isso, acho que não será difícil tomarmos esse encaminhamento”, considera. A simpatia de Madureira e Jandreice pela idéia pode facilitar a iniciativa de modificação das férias parlamentares, pois ambos fazem parte da Mesa Diretora do Legislativo, que é quem tem a prerrogativa legal de apresentar uma eventual proposta de alteração do recesso parlamentar.
Outro vereador a defender o encerramento das férias em julho é Primo Mangialardo (PV), que sustenta que o projeto contemplando a proposta já deveria ser apresentado logo após o reinício das atividades legislativas, previsto para agosto. “É que não dá tempo mais para votar isso nas sessões extraordinárias, mas, na primeira ordinária após o recesso, já poderíamos votar e aprovar. Temos de fazer ainda nessa legislatura, até para não aparecerem futuros candidatos a vereador prometendo isso caso sejam eleitos e depois não o fazem”, ressalta o parlamentar verde.
Quem também manifesta-se favoravelmente à iniciativa é o tucano João Parreira (PSDB). “Para mim, não muda nada e acho que poderíamos realmente terminar com o recesso de julho, deixando apenas o do final de ano. Acho que essa seria a discussão razoável, mas é questão de sentarmos e discutirmos a possibilidade”, salienta Parreira. E conclui: “No recesso de julho, a Câmara não pára e por isso acho que poderia mesmo ser extinto.”