Economia & Negócios

Cteep: funcionários podem iniciar greve

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

Nesta segunda-feira, os funcionários da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica (Cteep) vão paralisar as atividades durante 24 horas em protesto contra a interrupção das negociações da campanha salarial da categoria. No mesmo dia, farão uma assembléia para deliberar sobre a possibilidade de iniciarem uma greve por tempo indeterminado a partir do próximo dia 23. O protesto desta segunda-feira será o terceiro realizado pelos trabalhadores da empresa em apenas 22 dias.

No dia 26 de junho, os 120 funcionários da companhia cruzaram os braços por duas horas para reivindicar reajuste salarial (de 5%), garantia de emprego e manutenção de benefícios trabalhistas. No dia 2 deste mês, um novo protesto levou os trabalhadores a suspender as atividades durante quatro horas. De acordo com Francisco Wagner Monteiro, diretor do Sindicato dos Eletricitários (Sinergia/CUT), desta vez a possibilidade de greve por tempo indeterminado é real.

“Essa greve é necessária para forçar a Justiça do Trabalho a julgar o dissídio da categoria, pois o que a empresa está fazendo com os trabalhadores é um absurdo. A empresa está obrigando os funcionários a trabalhar aos domingos sem receber (pagamento) em troca de uma folga durante a semana. Isso não existe”, reclama Monteiro.

Segundo ele, se a greve for deflagrada, os trabalhadores irão garantir o fornecimento de energia elétrica aos consumidores com a manutenção dos serviços essenciais.

Jornada excessiva

De acordo com Monteiro, além do trabalho aos domingos, os funcionários da empresa também estariam extrapolando a carga horária durante a semana, trabalhando até 12 horas. “Fazendo isso, a Cteep está colocando em risco toda a segurança do sistema (de fornecimento) de energia elétrica, porque os trabalhadores estão sendo pressionados a uma jornada de trabalho excessiva e ficam vulneráveis aos fatores de risco (dessa atividade)”, alerta o sindicalista.

Outro motivo de críticas por parte do Sinergia é o corte de R$ 1.250,00 na participação nos lucros e resultados (PLR) da maioria dos trabalhadores e da tentativa de criar uma PLR específica para os cargos de gerente. Ainda segundo Monteiro, a Cteep também teria suspendido a verba de R$ 100 mil aplicada em bolsas de estudo para os funcionários.

“O que eles (diretoria da empresa) estão fazendo é inacreditável. Ou os colombianos não conhecem a legislação brasileira, ou são muito mal assessorados”, alfineta Monteiro, referindo-se à privatização da Cteep, ocorrida no dia 28 de junho do ano passado, conforme divulgado pelo Jornal da Cidade. A companhia foi comprada por R$ 1,193 bilhão pela empresa colombiana Interconexión Eléctrica S/A.

Na atual campanha salarial, a categoria também reivindica garantia de emprego até 2009. “Eles (a empresa) estão propondo alterar essa cláusula. Pelo acordo coletivo, a empresa poderia demitir até 2% (do quadro), mas demitiu por PDV (plano de demissão voluntária) 60%. Também querem que os trabalhadores contratados a partir de maio do ano passado não tenham garantia de emprego”, diz Monteiro.

Ontem, a reportagem não conseguiu entrar em contato com a assessoria de imprensa da Cteep.

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