“Transformers”, que tem pré-estréia hoje no Multiplex Bauru Shopping e no Cine’N Fun do Alameda Quality Center (também na quarta e quinta-feira - confira os horários na página 42), é um dos filmes mais esperados do ano - simplesmente porque é baseado em uma série animada e linha de brinquedos que fizeram enorme sucesso nos anos 1980 e vem sendo alardeado já há alguns anos nos bastidores de Hollywood.
Os primeiros rumores deram como certa a produção do midas Steven Spielberg. Entretanto, os fãs dos robôs alienígenas que assumem formas terrestres - nesse primeiro capítulo, de veículos e aeronaves - tremeram quando o nome do diretor foi anunciado, há dois anos. Michael Bay, que comandou blockbusters/bombas como “Armageddon”, “A Ilha”, “Bad Boys” e “Pearl Harbor”, é célebre por soterrar qualquer brilho de interpretação de seus atores e nuances de roteiro a fim de encadear cenas de ação cada vez mais explosivas e barulhentas.
Em uma das críticas do site Rotten Tomatoes (que compila resenhas de filmes), um jornalista afirma que “Transformers, aqueles robôs disfarçados de jatos e carros esportivos, aterrizam nos cinemas lutando contra uma das forças mais malignas da galáxia: Michael Bay”.
O longa (duas horas e 24 minutos) não exige conhecimento prévio da mitologia dos Transformers, apesar de brincar com diversas referências às séries da franquia. Na trama, o jovem Sam Witwicky (Shia LaBeouf, de “Cons-tantine”) tenta vender tranqueiras da família na Internet para juntar dinheiro, comprar seu primeiro carro e finalmente arrumar uma garota.
Ele nem desconfia que um dos itens é a chave de um poderoso artefato capaz de mudar os rumos de uma guerra interplanetária que se desenrola há séculos, e isso o coloca no meio do confronto entre os terríveis Decepticons e os justos Autobots. Mesclando humor e diálogos hiperbólicos com melodrama humano e enrolação militar, o filme é mesmo dos robozões. Não seriam necessárias mais do que 20 palavras para resumir o restante do roteiro.
Bay foi criticado pelo visual “extremamente” realista dos Transformers, que os distanciou do charme do desenho e dos brinquedos oitentistas. Entretanto, era difícil esperar que, com a Industrial Light & Magic (“fábrica” de efeitos especiais criada por George Lucas) a seu dispor, os robôs fossem quadradinhos e redondinhos, ao invés de terem centenas de componentes aparentes e em pleno movimento nas cenas em que os personagens aparecem com detalhes – e elas são muitas.
São os Autobots o Líder Optimus Prime (caminhão), Bumblebee (Camaro), Jazz (Pontiac Solstice) e Ironhide (GMC Topkick); os Decepticons principais são Megatron, Barricade (Mustang da polícia), Starscream (caça Lockheed Martin F-22) e Blackout (helicóptero Sikorsky).
Nas mãos de outro diretor, o filme talvez concentrasse sua ação nos personagens e no drama do planeta em perigo. Com US$ 150 milhões de orçamento, Bay joga a favor da torcida: ele não esconde suas estrelas até a meia hora final. Os robôs alienígenas brilham na tela desde o início do longa e as fantásticas transformações de veículos e aeronaves para as formas de combate são incontáveis, com qualidade real nos efeitos.
“Transformers”, como legítimo blockbuster do cinemão americano, ainda é um filme de Michael Bay e tem a marca do diretor muito bem impressa. Isso não impede, porém, que mais esse “revival” da década de 1980 seja bastante divertido.