Bairros

Entre tintas e peças está a Araújo Leite

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Historicamente a Araújo Leite é considerada a ‘rua mãe’ de Bauru. Segundo o historiador Luciano Dias Pires, em meados do século 19, pessoas vindas de várias regiões passavam pelo lugarejo que viria a se tornar Bauru. No caminho principal começaram a surgir os primeiros casebres, que serviam de moradia e hospedagem.

“Com o passar dos anos aquele trajeto foi ganhando novas residências e casas de comércio”, conta, explicando que no dia 8 de janeiro de 1896 o caminho foi batizado com o nome do primeiro juiz de paz da cidade, João Baptista de Araújo Leite.

Hoje, 111 anos depois de seu batismo, a Araújo Leite tem residências e comércios dos mais variados. No entanto, entre as ruas 1o de Agosto e Marcondes Salgado, há uma concentração de lojas de tintas e autopeças, que já se tornaram conhecidas dos consumidores, conforme o motorista Alcebíades Luiz Santos.

Para ele, o mais importante é a facilidade com que encontra os produtos nos chamados pólos. No caso da região central, onde há dificuldade para estacionar, o motorista ressalta que a proximidade de várias lojas do mesmo segmento ajuda o consumidor, que não precisa se deslocar muito para encontrar o que precisa. “A gente já sabe onde ir, pesquisa o melhor preço e compra”, afirma.

Para os comerciantes, a proximidade da concorrência é mais benéfica do que prejudicial. Segundo Milton Alves Viana, proprietário de uma casa de tintas na Araújo, quando se trabalha ao lado do concorrente, o comerciante é obrigado a ter mais empenho e ser eficaz naquilo que se propõe.

Alguns podem até dizer que é loucura. Viana mesmo diz que foi muito criticado quando resolveu montar sua loja, há quatro anos, pois amigos e familiares consideravam um erro abrir um estabelecimento onde já havia outros do mesmo ramo de atividade, mas foi justamente a disputa que motivou o empresário. “Antes eu estava na Presidente Kennedy, fora do foco. E a clientela procura onde está o foco do produto”, sustenta.

Da mesma forma, o engenheiro químico e empresário Newton Scocuglia comenta que a concentração de lojas é benéfica, já que o consumidor já sabe onde ir e procura o melhor preço e atendimento. Há 16 anos no ramo de tintas, ele afirma que a proximidade dos concorrentes ajuda o cliente a negociar, e aí entra o diferencial do comerciante, ou seja, aquele que tiver mais facilidade em lidar com o público consegue ganhar a clientela.

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Acessórios automotivos

Assim como as lojas de tintas se proliferaram na Araújo Leite, as revendas de acessórios automotivos, como calotas, freios, rolamentos e amortecedores também se destacam na região, praticamente nas mesmas quadras. O discurso dos comerciantes é bem semelhante com relação à concorrência. Há os prós e os contras, mas o fato de haver um pólo do setor ajuda.

Os comerciantes André e Andréa Branco destacam que já houve concorrência desleal na região, mas isso passou. Atualmente, é possível manter a relação de boa vizinhança e concorrer de igual para igual com outras lojas. Muitas vezes, a concorrência até auxilia no atendimento ao cliente.

Segundo Andréa, quando não é possível servir o cliente, por causa da falta de algum produto, não há problema em ir até o vizinho e comprar a peça, só para o consumidor ser bem servido e voltar novamente. “O que faz a diferença é o atendimento”, diz, explicando que, se estivesse longe do pólo, dificilmente poderia atender o pedido e perderia o cliente.

A opinião dela é compartilhada pela gerente de outra loja de autopeças, Leyslie Christina Assumpção da Silva. Para ela, muitas vezes a concorrência atrapalha, por causa do preço, mas ficar isolado também não é bom para os negócios. Há dez anos no local, Silva aponta que a centralização está cada vez mais forte e puxando outros segmentos para a região.

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