Metas
Os americanos cultuam a importância de se ter metas desde a metade do século 19, estimulados pelas religiões protestantes. Os bancos americanos foram os primeiros a introduzirem no Brasil um novo conceito de metas de trabalho, constituído de três classificações: mínima, normal e impossível. Se o colaborador não atingir a meta mínima, é imediatamente convidado a se retirar da organização. Ao atingir a meta normal é premiado. Agora ao atingir a meta impossível, recebe bônus e prêmios valiosos, além de homenagens. São estímulos galgados em riscos e perspectivas que funcionam bem, pois além de trazerem excelentes resultados, evitam a tendência de acomodação. Não basta o esforço, tem-se de obter resultados. Na competição não se pode dormir de botina, como é dito no Interior do País.
A Ambev possui um sistema de avaliação muito parecido com os de times de futebol. Na integração, o novo contratado é muito bem orientado no sentido de que, se surgir alguém melhor que ele, automaticamente será substituído. Portanto é bom não criar laços afetivos. Empresa extremamente racional. São políticas de recursos humanos que fazem o profissional ficar ligadíssimo ao trabalho quase o tempo todo do dia. Suas metas agressivas fazem com que o profissional só pense e fale em trabalho. Nesse tipo de empresa, o trabalho se expandiu ao máximo, de tal forma não sobrar tempo para o colaborador cuidar do Eu, da família, do social e muito menos do espiritual. Não basta ser inteligente e competente, tem-se de deixar a vida na empresa.
O desequilíbrio não tem como não se manifestar nesse tipo de profissional. É questão de tempo. Isso me faz lembrar de um caso ocorrido há aproximadamente 16 anos atrás, em uma agroindústria do Interior do Estado de São Paulo, na qual um dos diretores, pessoa inteligente e competente, tão dedicado ao trabalho que chegava a ponto de dormir acompanhado de rádio de comunicação ligado, visando ficar a par das anormalidades ocorridas durante o turno de madrugada. Num belo dia, surtou. Internado alguns meses, conseguiu se recuperar. Preço muito caro se pagou. Isto não é viver, muito menos sobreviver.
A troca de saúde por dinheiro é suicídio. As empresas precisam urgentemente aprender a fazer mais com menos. Mais com mais não tem mérito. Fazer mais dessa forma é desequilibrante e inconsistente . Com o tempo vem a conseqüência, pois para toda ação tem uma reação no sentido contrário.
É por isso que admiro demais a Toyota, uma das poucas organizações que leva muito a sério o valor “respeitar o Ser Humano” e obtém altíssima lucratividade. Empresa bem-sucedida, trabalha de forma inteligente e criativa. Sabe eleger prioridade e respeita sustentabilidade. Uma empresa que exige carga horária maluca de trabalho continuamente não respeita seu colaborador e não deve ser séria.
Davison de Lucas é diretor da M.Davison & Associados, consultor organizacional e palestrante.