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Informação demais pode estressar

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A busca pelo conhecimento move o ser humano desde o momento em que ele foi criado. Começou com Adão e Eva e o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e segue até hoje em um ritmo cada vez mais alucinante. Não bastassem os livros, jornais, revistas, rádio e a televisão, para ficar apenas nos veículos mais tradicionais, com a chegada da Internet o leque de opções de fontes informativas cresceu assustadoramente e continua expandindo ano após ano, ou melhor, dia após dia, devido à velocidade com que novas ferramentas de comunicação surgem no mundo virtual.

Nunca a sociedade foi bombardeada tão intensamente com informações de tudo quanto é assunto e nunca teve acesso tão fácil a elas como agora. Essa facilidade de acesso fez aumentar a angústia e o estresse de pessoas que querem estar sempre bem informadas. Hoje, a informação está ao alcance de todos, ou quase todos, o que amplifica a ansiedade de uma parcela da população que quer ou precisa estar sempre atualizada com o que ocorre em sua cidade, no País ou no mundo.

Para se ter uma idéia do crescimento do mercado editorial, nos últimos seis anos a quantidade de revistas publicadas no Brasil saltou de 2.034 para 3.657, um crescimento de 80%. No meio jornal, o crescimento foi de 55% nos últimos cinco anos.

A quantidade de informação é tanta e as fontes são tão numerosas que não saber lidar com todas essas opções pode causar distúrbios psicológicos e impactos negativos no trabalho e na saúde, segundo estudiosos no assunto. O médico do trabalho Divaldo Bernardes da Silva diz que se tornou comum pessoas em cargos de gerência apresentarem quadros de estresse motivados pela preocupação em estar sempre bem informado. A dica, segundo ele, é saber gerenciar não só a empresa, mas também o fluxo de informações que recebe.

“Antigamente, as pessoas liam um jornal por dia e estavam bem informadas. Hoje, elas carregam laptops para cima e para baixo e estão o tempo todo conectadas”, compara o médico. “O medo de sentir que está sendo passado para trás, que o colega sabe mais que ele, leva a essa ansiedade, que acaba se transformando em estresse”, afirma.

De acordo com a psicóloga Rosana Ribeiro, o estresse gera insônia, doenças cardiovasculares e gastrite nervosa, entre outros males. “É preciso ‘desligar’ de vez em quando; criar mecanismos de regularização como ir ao cinema e praticar esportes”, orienta. “Nosso corpo é uma máquina e o estresse é um indicador de sobrecarga. Antes que essa máquina dê problemas, é melhor parar um pouco”, diz a psicóloga.

Na opinião dela, ao mesmo tempo que o acesso à informação ficou mais fácil, a cobrança para que determinadas categorias profissionais estejam sempre atualizadas aumentou. “O mercado de trabalho tem sido exigente, mas nós temos de impor limites, porque, além do estresse, o excesso pode levar à depressão”, alerta Rosana.

Quando percebemos que o volume de informação a digerir é superior à nossa capacidade só existe um remédio, segundo o mestre em engenharia de sistemas Henrique Faulhaber: “Usá-la seletivamente ou, simplesmente, fazer uma dieta de informações”.

A assistente social do Centrinho Raquel Bastazini de Camargo lê jornal todos os dias e assiste aos telejornais da noite. Ela não acessa Internet. Mesmo assim acredita que está mais bem informada do que muita gente que passa horas sentadas à frente do computador.

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