O excesso de informação pode ser explicado não só pelo crescimento da Internet, com seus blogs e afins, mas também pela expansão no número de revistas editadas nos últimos seis anos no Brasil. De acordo com estatística da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), nesse período a quantidade de títulos lançados, entre revistas regulares e ocasionais, saltou de 2.034 para 3.657. Um aumento de 80%.
Entretanto, esse crescimento não significa mais leitores. Ao contrário, nos últimos seis anos a circulação de revistas caiu 10%. Passou de 447 milhões em 2000 para 407 milhões no ano passado.
A circulação caiu também no meio jornal. Segundo a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a redução foi de 10%. No entanto, desde 2004, a venda de jornais vem aumentando. De 2005 para 2006, o crescimento foi de 6,5%, chegando a 7,2 milhões de exemplares vendidos diariamente. Em 2000, a circulação nacional de jornais chegou a quase 7,9 milhões todos os dias.
Para o diretor-executivo da ANJ, Antônio Athayde, o desempenho da circulação dos jornais brasileiros está diretamente relacionado ao comportamento da economia. Segundo ele, a partir do ano 2000, com um crescimento menor da economia brasileira, os jornais foram afetados. Com a recuperação econômica, mesmo que tímida, iniciada em 2003, houve um reflexo positivo para os jornais.
“Além disso, é muito importante assinalar esse aspecto, os jornais brasileiros estão fazendo grande esforço para conquistar novos nichos de mercado, como os jornais populares, de preço mais baixo, e melhorar os produtos que oferecem a seus leitores”, lembra Athayde.
A avaliação de Edianez Parente, editora-adjunta do Grupo Meio & Mensagem, que edita jornal de mesmo nome voltado para área de publicidade, é semelhante à do diretor-executivo da ANJ. Ela também atribui a recuperação não só dos jornais, mas de outros meios, ao aquecimento da economia brasileira. “Houve uma retomada no poder de compra da população e isso teve reflexo direto nos meios de comunicação”, salienta.
A Editora Alto Astral, localizada em Bauru, é um exemplo do que tem ocorrido com o mercado editorial. De 2000 para cá, ela praticamente dobrou o número de publicações sem que isso tenha representado crescimento igual no faturamento, segundo informa o gerente de marketing, Silvino Brasolotto Júnior.
Segundo ele, o crescimento no número de revistas lançadas ocorreu por causa da diversidade de segmentos que a editora atua. “A Alto Astral não é mais uma editora que lança apenas revistas de horóscopo. É claro que elas são importantes para nós, mas temos grande participação em outros segmentos como adolescentes, feminina semanal, receitas e culinária, atividades infantis, esporte e outros”, comenta Brasolotto. Atualmente, a editora possui 25 títulos no mercado nacional.
No meio rádio, não houve alteração significativa no número de emissoras nos últimos seis anos, segundo o presidente da Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado de São Paulo (Aesp), Edilberto de Paula Ribeiro.
O avanço da Internet, segundo ele, não atrapalhou o rádio como algumas pessoas acreditam que tenha ocorrido. “O rádio é mais fácil de manusear e mais barato. Aonde você vai dá para levar um rádio, um computador é mais difícil”, diz.De acordo com o presidente da Aesp, assim como outros meios, o rádio também tem procurado se reciclar.
Há 27 anos trabalhando em uma banca de revista, o microempresário Orlando Pavan, 67 anos, comenta que o nicho de mercado que mais tem crescido ultimamente é o voltado ao público homossexual. Também tem crescido a venda de publicações voltadas aos jovens e adolescentes, mas no geral o faturamento da banca caiu cerca de 30% desde 2000, segundo Pavan.