Regional

Rejeitos nucleares preocupam a região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O anúncio feito pelo presidente da Eletronuclear, Othon Pinheiro, na semana passada, de que a região do baixo Tietê, próximo à divisa com o Estado do Mato Grosso do Sul, poderá sediar uma das novas centrais nucleares suscitou dúvidas entre os paulistas: a energia nuclear é problema ou solução? O estudo será feito a longo prazo, já que a usina entrará em operação em 2030 e inclui a região de Ibitinga.

Para o físico Luis Carlos de Menezes, educador da Universidade de São Paulo (USP) e que há mais de 30 anos acompanha as atividades nucleares no Brasil e no mundo, a energia nuclear tem prós e contras.

Entre os pontos positivos, a usina é uma alternativa que não produz efeito estufa. “Porque não há uma queima propriamente dita, então não existe uma produção de gases estufa como o dióxido de carbono. Por isso se considera uma vantagem do ponto de vista global”, enumera Menezes.

Mas há duas questões que pesam contra. “Uma é o fato de que não existe, não só no Brasil como no mundo, uma solução definitiva para os chamados rejeitos nucleares, as substâncias que resultam da fricção nuclear, que permanecem radioativas por milhares de anos e podem causar um comprometimento ambiental grave, no futuro”, explica o físico.

Diante desse quadro, segundo o educador, o problema da instalação da usina se mostra sincero e real. “Ninguém tem solução para isso. Tem soluções provisórias, mas definitiva não há”, afirma Menezes.

O outro problema apontado por ele é que, no caso de acidente grave, o comprometimento é duradouramente para toda a região. “Por sorte tem acontecido poucos acidentes.”

Na opinião do educador, a energia nuclear deve ser olhada pela perspectiva nacional e continental. “Eu sou cauteloso com relação à energia nuclear. Muitos países do mundo que tem cuidados ambientais específicos olham a energia nuclear com cuidado. Não acredito que ela vá crescer muito no mundo mesmo porque a disponibilidade de combustível não é eterna.”

A geração de empregos na construção da central nuclear é para o professor uma vantagem que poderia ser obtida de outras formas. ”Existem várias outras formas de produzir empregos”, afirma Menezes.

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