O líder do PT na Assembléia Legislativa, Simão Pedro, afirma que está em curso na Casa uma ‘operação-abafa’ comandada pela base governista para protelar as investigações sobre a Máfia da CDHU. O petista revela, entretanto, que os focos de rebelião entre os aliados de José Serra (PSDB) já no princípio da legislatura têm facilitado o trabalho da minoria oposicionista. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
Pergunta - O rolo compressor governista coloca em xeque a independência do Legislativo? Como fazer a Casa andar menos subserviente ao Palácio dos Bandeirantes?
Simão Pedro - Do ponto de vista da oposição, não temos objeção que a Assembléia delibere. Desde que haja espaço para debate, para audiências públicas. Desde que o Serra e seus deputados não transformem a Assembléia em um balcão de homologação único dos projetos do Executivo. Nós temos todo o interesse em votar, em colocar as CPIs, em cobrar dos secretários e fazer com que eles respondam às demandas e requerimentos.
Pergunta - Mas não é isso que vem ocorrendo...
Simão Pedro - Sim, mas se o governo Serra continuar tratando a Assembléia como tratou estes seis meses, governando por decreto, permitindo que só se vote projetos de interesse do Executivo, aí acho que não é nem a oposição, mas os próprios deputados da base governista que vão se rebelar.
Pergunta - Já é possível detectar focos de motim...
Simão Pedro - Sim, o deputado Orlando Morando (PSDB) mesmo ‘detonou’ na tribuna a tramitação do projeto da Nota Fiscal Eletrônica. Eles (bancada de Serra) também jogaram para escanteio líderes que eram fortes na legislatura passada. Mesmo dentro do PSDB escantearam os campeões de voto. Isso gerou mal-estar, o governador não tem conseguido manter a unidade da base. Isso facilitou muito o trabalho nosso aqui da oposição. Há vários sinais fortes de insatisfação.
Pergunta - E o tratamento dado pela comissão de ética no caso da CDHU e do suposto envolvimento do deputado Mauro Bragato (PSDB)?
Simão Pedro- Isso faz parte da operação-abafa. O governo Serra resolveu retirar os projetos para que a Assembléia entrasse em recesso o mais rápido possível e, assim, esfriasse o assunto CDHU e o envolvimento do Mauro Bragato. O fato de ele tentar construir o recesso mais rápido, aliado ao fato de jogar para Mesa Diretora a requisição dos documentos do Ministério Público e da Polícia Civil que mostram o funcionamento desta máfia das casinhas faz parte desta operação para protelar a investigação.