Homem-forte de José Serra na Assembléia, o líder da bancada governista, Barros Munhoz (PSDB), defende o critério adotado pela Mesa Diretora para instaurar CPIs. O tucano admite que a produtividade do Legislativo deixa a desejar e cobra mais objetividade da oposição a quem credita parcela significativa da morosidade dos trabalhos da Casa.Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
Pergunta - O senhor concorda com o critério adotado para abertura das CPIs, que protelou a investigação sobre a CDHU?
Barros Munhoz- Não há outro critério possível, se cada um quiser a sua CPI, fica impraticável. Tem que se ordenar isso. O critério mais lógico é o critério cronológico, como foi feito.
Pergunta - O PSDB e a base do governo agem para abafar as CPIs?
Barros Munhoz - Não, isso só não ocorreu antes porque havia um impasse jurídico. Havia um questionamento do Tribunal de Justiça, que só agora foi esclarecido. Cabe ao presidente decidir e ele usou do seu poder. Agora a gente entra na rotina de ter CPI sempre que requerida.
Pergunta - E na base, há ruídos? O deputado Orlando Morando (PSDB) criticou duramente o projeto da Nota Fiscal Eletrônica na tribuna.
Barros Munhoz - Ele não precisava ter feito em plenário o que ele fez. A maioria das dúvidas que ele levantou era improcedente. Inclusive, ele fez algumas afirmativas totalmente em desacordo com a realidade. Mas eu acho que está superado este episódio.
Pergunta - O adiamento da votação deste projeto desagradou o governador Serra?
Barros Munhoz- É lógico que o governador Serra tem pressa, mas não é ele. É São Paulo que tem pressa.
Pergunta - Como interlocutor mais próximo do governador, como o senhor vê a relação Executivo-Legislativo hoje?
Barros Munhoz- Foi uma boa relação, de respeito, O governador respeita o Legislativo e cumpre suas tarefas de comandar o Executivo.
Pergunta - E o secretariado? Ajustou os ponteiros com os deputados da base? Havia um descontentamento no início...
Barros Munhoz- A relação começou tumultuada, como é natural. Mas hoje já melhorou 90% e já é considerada satisfatória pela maioria dos deputados, inclusive os da oposição que têm relacionamento com alguns setores do governo.