A expressão é antiga, mas tanto comerciantes experientes quantos novatos afirmam que o sucesso na profissão depende de colocar em prática uma regra para o setor: “o cliente sempre tem razão”. Mas a concorrência típica dos tempos modernos exige diferenciais que incluem até chamar o cliente pelo nome. Hoje, quando comemora-se Dia do Comerciante, profissionais do setor estabelecidos em Bauru, cidade conhecida pelo seu forte comércio, contam como conquistam clientes.
Com a experiência de administrar um açougue há 29 anos, Sinira Mendes, 66 anos, explica que o segredo de uma boa clientela é a qualidade de produtos oferecidos e atendimento dispensado ao longo dos anos. Neste segundo item, ela ressalta uma tática que considera importante, muito difícil de ocorrer em estabelecimentos grandes e de rede: chamar seus clientes pelo nome. “Mais do que clientes, eles são amigos”, diz, com brilho no olhar. Sinira acredita que estabelecimentos de pequeno porte, muito comuns em bairros, aproximam o comerciante do cliente.
Ela conta que a atividade comercial é tradição de família. Seu pai, que hoje tem 91 anos, já possuiu mais de 50 butecos. “Desde moça, eu ajudava a ‘tocar’ os bares”, conta. Depois, junto com seu marido, Sinira abriu o açougue. Hoje, a filha dela ajuda administrar o estabelecimento. O gosto pelo comércio está no sangue da família: um filho de Sinira é proprietário de um dos bares que foi do pai dela. “Minha vida foi dedicada ao comércio e, pelo jeito, meus filhos estão seguindo o mesmo caminho”, diz.
Joselito de Oliveira de Jesus, proprietário de um açougue há quatro anos, também faz parte de uma família que se dedica ao comércio. Seus tios e irmãos são donos de açougues e, ele próprio, já atuou em outros ramos comerciais. “Seja em qualquer ramo, eu gosto de trabalhar no comércio. Agora estou no açougue porque foi o que me deu maior retorno financeiro. Tenho liberdade para fazer as coisas da maneira que achar melhor e gosto de estar entre pessoas”, explica.
Mas ele ressalta que é preciso ter amor pela profissão. “É isso que faz a diferença para os clientes”, frisa. Cliente fiel do açougue de Joselito, a auxiliar judiciária Eva Delmiro Nascimento Silva explica que ele é mais que comerciante. “Ele não é só dono do açougue. Está há tanto tempo morando no bairro que, tanto ele quanto sua família, já se tornaram meus amigos”, conta.
Novato no comércio, Roque Shodi Dokan, 34 anos, que tem padaria há um ano e meio, afirma que está satisfeito com a receptividade e simpatia de grande parte da população. Da mesma forma que Sinira e Joselito, ele também conhece muitos clientes pelo nome e garante que eles são fiéis. “Neste tempo que estou aqui já deu para conhecer praticamente todo mundo”, diz. Ele enfatiza que nos pequenos estabelecimentos é muito mais fácil estabelecer relação de amizade entre proprietário e clientes.
Antes de entrar para o comércio, Dokan plantava uvas. Depois, foi para o Japão trabalhar. Ao retornar, ele continuou no cultivo de uvas, mas resolveu mudar de atividade buscando maior lucro. Para iniciar o novo negócio, ele utilizou o dinheiro que havia guardado enquanto trabalhava no Japão. Ele conta que nem sempre o lucro é o esperado, mas, segundo ele, “entre altos e baixos, dá para levar”.
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Histórico
O 16 de julho foi instituído como Dia do Comerciante em 1953, pelo então presidente do Senado Federal, João Café Filho. Trata-se de uma homenagem ao comércio, comemorada no dia em que nasceu Visconde de Cayru - José da Silva Lisboa.
O político baiano é uma figura histórica e exerceu grande influência junto ao príncipe regente português D. João VI, para que fossem abertos os portos brasileiros para o comércio com as nações amigas, em 1808. A medida foi decisiva para fomentar a atividade comercial do Brasil com o Exterior.