Economia & Negócios

Preço do leite não deve baixar logo

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O preço do leite deve continuar alto até o final da entressafra, período de seca ocorrido entre maio e novembro que interfere diretamente nos níveis de produção da pecuária leiteira. Antes dos valores do leite e seus derivados começarem a subir no varejo, o litro comercializado nos supermercados na embalagem longa vida custava em média R$ 1,09. Agora chega até a R$ 2,19, maior preço em 15 anos, segundo Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp). “Nunca se pensou que iria atingir esses níveis de preços atingidos agora”, observa.

De acordo com ele, o motivo do aumento não é apenas o período da entressafra, mas também outros fatores que podem inibir a baixa dos preços. “Houve uma grande descapitalização de parte dos produtores e o leite era um setor que não dava muito retorno”, observa. “Com isso, somado à diminuição (das áreas) de pastagem por causa da invasão da cana-de-açúcar, laranja e madeira, mais a falta do produto por causa do aumento da demanda devido à economia estável, o preço do leite começou a crescer”, acrescenta Lima Verde.

Além do aumento da demanda interna, as importações do produto aumentaram devido às fracas produções registradas em regiões leiteiras como Austrália e Nova Zelândia, causando a redução da oferta também no mercado internacional. Com isso, o Brasil passou a exportar mais leite.

Fabricantes de derivados do leite como manteiga, iogurte e queijo seguraram o aumento desses produtos entre 0,6% e 6%, índice que pode se elevar caso o preço da matéria-prima continue subindo. A avaliação é do gerente de compras de uma rede de supermercados em Bauru, Marcos Renato Lourenção. “É provável que o consumidor sinta essa diferença daqui a pouco”, alerta.

No setor atacadista, os destaques são as elevações de preços do leite pasteurizado (5,13%); leite em pó (5,98%); leite condensado (2,85%); creme de leite (2,75%); coalhada e iogurte (1,93%) e farinha láctea (0,65%). No varejo, os aumentos de preço mais relevantes foram registrados na mussarela (4,26%), iogurte (1,22%) e no leite fresco (2,28%).

Expectativas

Existe a possibilidade de que, com o final do período de entressafra, os preços voltem a cair. “Quando começar a chover de novo, o produtor precisará de menos ração artificial para alimentar o gado, seus custos diminuirão, ele conseguirá produzir mais e os preços devem baixar”, analisa Lima Verde. Ele destaca que o aumento dos custos dos produtores de leite - com a necessidade de comprar ração para alimentar o gado em função da seca das pastagens - é uma importante parte da equação que resulta na manutenção dos preços em alta para o consumidor final.

Atualmente, o preço do litro do leite pago pelos laticínios chega aos R$ 0,85. O produtor recebe, em média, R$ 0,60 pelo litro do produto. Anos atrás, o valor era de apenas R$ 0,20, o que torna o negócio mais rentável e atrativo. Na região de Bauru existem 400 produtores, número que deve aumentar a partir de agora devido ao otimismo do setor, que manterá os preços em alta até novembro. “Até lá, (final da entressafra), não há previsão de baixa (dos preços), a não ser que o governo interfira”, afirma Lima Verde.

No Brasil, entre abril e maio o custo do leite subiu 20% para o produtor. No ano passado, no mesmo período, a alta foi de 11,2%. Para o consumidor, o reajuste variou entre 40% e 60%.

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